Juízes querem varredura na gestão das empreiteiras da Lava Jato

Juízes querem varredura na gestão das empreiteiras da Lava Jato

Mais influente entidade da magistratura pede audiência a ministro da Justiça

Redação

19 Fevereiro 2015 | 20h33

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

Alegando preocupação com a pressão política que “parece se intensificar sobre as investigações da Operação Lava Jato”, o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo Costa, encaminhou nesta quinta feira, 19, pedido de audiência ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O presidente da AMB deverá propor uma varredura na gestão das empreiteiras citadas, informou a mais influente entidade da toga do País.

“O Judiciário precisa conduzir esse processo e avançar com independência no combate à corrupção e à impunidade”, declarou Costa. “A Operação Lava Jato trouxe fortes indícios de que muitas dessas empreiteiras que estão sendo investigadas atuam como verdadeiras organizações criminosas cartelizadas que estão saqueando os cofres públicos há anos.”

Para o presidente da AMB, “é necessário que o Executivo promova uma investigação profunda, além das denúncias da Petrobrás”.

João Ricardo Costa é o atual presidente da Associação. Foto: AMB

João Ricardo Costa é o atual presidente da Associação. Foto: AMB

O ministro da Justiça admitiu ter recebido advogados de empreiteiras sob suspeita de terem formado cartel na Petrobrás. O episódio provocou forte reação do juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Ele classificou de “indevida interferência política” a estratégia das empreiteiras.

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O presidente da AMB avalia a conduta de advogados de defesa dos acusados na Operação Lava Jato, ao solicitarem audiência com ministro da Justiça. “É fundamental para a democracia que os advogados atuem na amplitude das suas prerrogativas, de forma incondicional. Porém, estas mesmas garantias devem ser exercidas dentro de um conceito radicalmente republicano. Neste caso específico, a conduta dos advogados induz em uma atuação voltada para pressionar o uso do poder político sobre o Judiciário”, afirma.

O presidente da AMB defende o Poder Judiciário como instância para o exercício da ampla defesa, “já devidamente estruturado para recepcionar todo e qualquer pleito em relação ao caso”.

“Para cada decisão da Justiça, contamos com infindáveis recursos. O que não podemos admitir é a tentativa de pressionar o Poder Judiciário e os juízes que atuam no processo, muito menos qualquer conduta que tente desqualificar o magistrado que preside as investigações em questão”, alerta João Ricardo Costa.