Juiz vê ‘chantagens’ dos delatores JBS

Juiz vê ‘chantagens’ dos delatores JBS

João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Criminal Federal, que mandou prender Wesley e Joesley Batista na Operação Acerto de Contas, argumenta que irmãos ameaçavam autoridades públicas

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

13 Setembro 2017 | 14h38

Da esquerda para a direita: Joesley Batista e Wesley Batista. Fotos: Felipe Rau e Rafael Arbex/Estadão

O juiz federal João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Criminal Federal, atribui aos irmãos delatores da JBS Joesley e Wesley Batista ‘prática de chantagens junto a autoridades públicas’. O magistrado não citou nomes de supostas vítimas das ameaças dos delatores que mergulharam o governo Michel Temer na grande crise – as revelações dos executivos embasaram a primeira denúncia criminal da Procuradoria-Geral da República contra o presidente, afinal. barrada na Câmara.

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Nesta quarta-feira, 13, a Polícia Federal deflagrou a Operação Acerto de Contas, nova fase da Tendão de Aquiles, que investiga ganhos milionários dos delatores JBS com especulação no mercado financeiro e na cotação da moeda americana em meio ao acordo de delação que fecharam com a Procuradoria.


Wesley foi preso em sua residência, na Rua das Antilhas, 181, Jardim América, São Paulo. Joesley já está preso desde segunda-feira, 11, alvo de outra fonte de investigação, esta da Procuradoria-Geral da Repíublica por suposta violação ao acordo de delação.

Os irmãos delatores vão ser removidos para um presídio estadual. Primeiro, devem passar pelo Cadeião de Pinheiros.

O juiz vislumbra a possibilidade de os executivos JBS perderem as concessões generosas do acordo de delação que firmaram com a Procuradoria. Inicialmente, João Batista Gonçalves apontou ‘existência de elementos concretos que indicam que Joesley Mendonça Batista e Wesley Mendonça Batista teriam continuado a praticar delitos mesmo após a celebração de acordo de colaboração premiada’.

Ele ressaltou que os irmãos delatores ‘possuem considerável influência sobre as áreas política e econômica do país, inclusive com a prática de chantagens junto a autoridades públicas, e que facilmente poderiam furtar-se à atividade jurisdicional, em especial após possível revogação dos beneficios premiais concedidos pela Procuradoria-Geral da República, inexistindo, por fim, outra medida eficaz, além da prisão cautelar, que possa ser utilizada.”

No entendimento do magistrado, ‘a segregação cautelar também se justifica sob a perspectiva da conveniência da instrução criminal’.

 Ele acentua ‘o poder e a influência do grupo econômico dirigido pelos investigados em diversos setores da política e da economia nacionais, como, por exemplo, no BNDES, CADE, Receita Federal, Ministério da Agricultura e CVM’.

Para João Batista Gonçalves, há ‘elementos a indicar que em oportunidades anteriores os irmãos Batista não teriam se furtado a utilizar a exponencial influência que detinham para atender seus interesses’.

“Incide igualmente a necessidade de garantia de aplicação da lei penal, considerando o risco concreto de fuga, ante a possível reversão dos benefícios deferidos em sede de colaboração premiada perante a Procuradoria-Geral da República, em especial a ampla imunidade concedida, somado ao elevado patrimônio dos investigados no país e no exterior, que facilitaria sobremaneira a sua evasão do território nacional, bem como a efetiva saída desses do país logo após a divulgação do pacto firmado com o Ministério Público Federal.”

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