Juiz reduz alíquota do seguro de acidente de trabalho de consultoria imobiliária

Tiago Bitencourt David, da 5.ª Vara Federal Cível de São Paulo, acolheu pedido da Seller Consultoria e cortou de 2% para 1% taxas utilizadas para que INSS custeie auxílio a vítimas de acidentes de trabalho

Victor Irajá, especial para o Blog

03 Maio 2018 | 18h35

O juiz Tiago Bitencourt de David, da 5.ª. Vara Federal Cível de São Paulo, decidiu que uma empresa do ramo de consultoria imobiliária – a Seller Consultoria Imobiliária e Representações Ltda., da construtora Cyrella -, possa reduzir a alíquota referente ao Seguro de Acidentes de Trabalho (SAT) de 2% para 1%. O juiz determinou compensação dos valores pagos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, desde janeiro de 2011.

As informações foram divulgadas pela Justiça Federal de São Paulo.

Documento

A autora entrou com o pedido para a revisão e diminuição da alíquota alegando que os cuidados adotados pelo setor no qual está enquadrada, bem como os da própria empresa, não podem ser ignorados para o enquadramento do percentual da contribuição, devendo ser considerada a aplicação de uma alíquota menor.

A decisão esclarece que “o que se questiona é a manutenção da alíquota de 2% quando dados reportam risco a impor a aplicação da alíquota de 1%. Isso precisa ficar claro para diferenciar o presente pleito de outras teses já refutadas pela jurisprudência, bem como para consignar que, ao contrário do quanto advogado pela ré, existe interesse na modificação do SAT”.

Para o juiz Tiago Bitencourt De David, “a correlação das atividades e das respectivas alíquotas não pode, sob pena de chancelar-se o absurdo, ser estática. Se o legislador instituiu alíquotas diferenciadas em razão do risco e determinados setores da economia passam a apresentar maior ou menor risco, impõe-se a atualização da respectiva carga tributária, sob pena de prejudicar-se o cauteloso e prestigiar-se o incauto. Inclusive promove-se o fim almejado (redução dos infortúnios laborais) atentando-se às condições reais e atuais do risco da atividade”.

No entendimento do magistrado “além da necessidade de atualização, a correlação entre atividade e alíquota deve emergir de um critério técnico-atuarial, não podendo advir do exercício de discricionariedade do legislador ou do administrador, impondo-se, outrossim, uma correta e justificada comprovação de que à alíquota maior corresponde um risco maior e/ou mais grave e vice-versa”.

O SAT, que foi instituído pela Lei Federal 8.212/91, prevê alíquotas de 1%, 2% e 3%, de acordo com o ramo de atuação da empresa e as atividades desenvolvidas por seus funcionários. É uma contribuição que as empresas pagam para custear benefícios do INSS destinados a quem sofreu acidente de trabalho ou doença ocupacional.

COM A PALAVRA, A SELLER CONSULTORIA IMOBILIÁRIA E REPRESENTAÇÕES

A reportagem entrou em contato com a empresa. O espaço está aberto para manifestação.