Juiz diz que Lava Jato não é mais exceção e cita investigação em empresa de filho de Lula

Juiz diz que Lava Jato não é mais exceção e cita investigação em empresa de filho de Lula

"Esses casos influenciam, positivamente, ontem mesmo tem a decisão de uma colega juíza que pareceu importante", afirmou Sérgio Moro

Elizabeth Lopes e Fausto Macedo

27 Outubro 2015 | 13h17

Luís Cláudio Lula da Silva,  filho do ex-presidente Lula. Foto: Paulo Pinto/Estadão

Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Foto: Paulo Pinto/Estadão

O juiz Sergio Moro disse nesta terça-feira, 27, em palestra que a investigação da Operação Lava Jato não é mais uma exceção. Ele exemplificou com a decisão da juíza federal Célia Regina Ody Bernardes, que aceitou os argumentos do Ministério Público Federal e permitiu as buscas nas empresas do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luís Claudio Lula da Silva. As empresas são: LFT Marketing esportivo; Touchdown Promoção de Eventos Esportivos e Silva Cassaro Corretora de Seguros.

“Esses casos (investigações da Lava Jato) influenciam, positivamente, ontem mesmo tem a decisão de uma colega juíza que pareceu importante (decretou buscas nas empresas do filho de Lula, além de prisões de lobistas e condução coercitiva de alvos da Operação Zelotes).”

A defesa de Luís Cláudio viu a ação da Operação Zelotes como ‘despropositada’.


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Como revelou o Estado no início do mês, uma das empresas de Luiz Cláudio, a LFT Marketing Esportivo, recebeu pagamentos de Mauro Marcondes, um dos lobistas investigados por negociar a edição e aprovação da MP 471 durante o governo Lula. A norma prorrogou incentivos fiscais para o setor automotivo. Luis Cláudio, que também é dono da empresa Touchdown, confirma o recebimento de R$ 2,4 milhões.

O filho de Lula sustenta que os valores se referem a projetos desenvolvidos para uma empresa de Mauro Marcondes, a Marcondes e Mautoni Empreendimentos, em sua “área de atuação”, o esporte. Mas nunca deu detalhes dos serviços prestados.

A Zelotes investiga fraudes em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. Segundo a PF, esta nova etapa investiga incentivos fiscais a favor de empresas do setor de automóveis.

Lava Jato. Sérgio Moro disse, na palestra, que os remédios amargos são necessários para conter a sangria que ocorreu nos cofres da Petrobrás, esquema investigado na Operação Lava Jato. No seu entender, a opinião pública tem desempenhado um papel importante em todo este processo e disse que ela tem se posicionado mais a favor e tem sido fundamental, “o que é essencial em uma democracia”. E sobre os críticos das delações premiadas, que a comparam a uma pesca, Sérgio Moro disse que “tem vindo bastante peixe”.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO ADVOGADO Cristiano Zanin Martins, que integra o escritório responsável pela defesa da família de Lula

“No caso da LFT Marketing Esportivo, que se viu indevidamente associada à edição da MP 471 – alvo da Operação Zelotes -, a simples observação da data da constituição da empresa é o que basta afastá-la de qualquer envolvimento com as suspeitas levantadas. A citada MP foi editada em 2009 e a LFT constituída em 2011 – 2 anos depois. A prestação de serviços da LFT para a Marcondes & Maltone ocorreu entre 2014 e 2015 – mais de 5 anos depois da referida MP e está restrita à atuação no âmbito de marketing esportivo. Dessa prestação resultaram 4 projetos e relatórios que estão de acordo com o objeto da contratação e foram devidamente entregues à contratante. O valor recebido está contabilizado e todos os impostos recolhidos e à disposição das autoridades.”

 

 

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