Jucá ataca juíza que deflagrou operação contra seus filhos e enteadas

Jucá ataca juíza que deflagrou operação contra seus filhos e enteadas

Líder do Governo no Senado diz que Operação Anel de Giges, que fez buscas nos endereços de Rodrigo Jucá e Marina Jucá, diz em nota que medida foi uma 'agressão' a ele e sua família

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Andreza Mattais

28 Setembro 2017 | 17h56

Romero Jucá. Foto: Estadão

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, nesta quinta-feira, 28, receber como ‘agressão’ a ele e sua família a deflagração da Operação Anel de Giges, que fez buscas e apreensões nas casas dos dois filhos e duas enteadas do peemedebista, investigados por supostos desvios envolvendo a compra de um terreno superfaturado e fraudes em empreendimento com verbas da União.

Anel de Giges foi desencadeada por ordem da juíza Ana Emília Aires, da 4.ª Vara Federal de Boa Vista (RR).

“Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juiza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje”, declarou, em nota, o senador.

Na investigação foi identificado o desvio de R$ 32 milhões dos cofres públicos, tendo como origem o superfaturamento na aquisição da “Fazenda Recreio”, localizada em Boa Vista e na construção do empreendimento Vila Jardim, do projeto Minha Casa Minha Vida no bairro Cidade Satélite, na capital.

São alvos de busca e apreensão e condução coercitiva os filhos de Romero Jucá, Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e Marina de Holanda Menezes Jucá, e as filhas da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo.

O senador chamou a operação de ‘mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família’. “Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização”.

“Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas”, afirma.

Jucá ainda fez referência ao pedido do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot em 2016, para prisão dele, de Renan Calheiros (PMDB-AL), de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), por suposta obstrução de Justiça.

“Em setembro agora, por absoluta inconsistência jurídica, o inquérito foi arquivado. Desproporcional e constrangedor, esse episódio poderia ter sido evitado. Bem como poderia ter sido evitado o de hoje. Bastava às autoridades pedirem os documentos anexados que comprovam que não há nenhum crime cometido”.