Joesley revela ‘crimes de dez, quinze anos prá cá’

Joesley revela ‘crimes de dez, quinze anos prá cá’

Executivo do Grupo JBS, em delação premiada na Procuradoria-Geral da República, aponta doações de R$ 400 milhões 'disfarçadas em propinas'

Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fábio Serapião, Fábio Fabrini e Beatriz Bulla

19 Maio 2017 | 15h03

Joesley Batista. Foto: Jonne Roriz/Estadão

No dia 7 de abril, o empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, fez o primeiro depoimento a dois procuradores da República. Foi uma espécie de apresentação, em que o executivo relatou detalhes da rotina de corrupção instalada no grupo que preside e os valores repassados a políticos e a partidos. Ele e outros executivos fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

“Os ilícitos foram cometidos pela alta direção e nasce com políticos, senadores, deputados, presidentes da República e constam da lista que a gente entregou a vocês.”


“Fizemos doação oficial de uns 400 milhões de reais e pagamos mais uns 100 milhões em nota fiscal fria.”

“Dos 500 milhões no total pode-se considerar que dos 500 milhões, 400 milhões foram contrapartida a ajustes ilícitos feitos pelos políticos, a gente pagando.”

“Esses crimes que nós vamos narrar aqui são de cinco anos prá cá, acho que os mais antigos, juntando todos os anexos, tem crime de dez, quinze anos prá cá.”

Um procurador indagou sobre as doações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Muitas doações, ele afirmou, foram ‘propina disfarçada’.

“Contrapartida, isso, propina disfarçada em doação a políticos.”

“Tem pagamento via oficial, caixa um, via campanha política, caixa dois, tem dinheiro em espécie.

Basicamente, essa é a forma de pagar. Normalmente, acontece o seguinte. Se combina o ilícito, o ato de corrupção com o político ou com dirigentes do poder público e daí pra frente se procede os pagamentos feitos das mais diversas maneiras, seja nota fiscal fria, dinheiro caixa dois, até mesmo doação política oficial.”

“Desde quando chamamos o corpo jurídico e pedimos pra iniciar a investigação interna, a gente mudou um pouco a forma de atuar, a gente passou a documentar e fazer mais registros. A gente sempre acreditava que uma hora seria chamado a dar explicações.”

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