Joesley e Wesley sabiam do ‘potencial da delação’, diz PF

Joesley e Wesley sabiam do ‘potencial da delação’, diz PF

Relatório de indiciamento dos irmãos delatores da JBS diz que a venda de ações do grupo por parte da controladora FB Participações 'revela ajuste e combinação de operações a fim de criar condições artificiais de mercado'

Fausto Macedo e Julia Affonso

21 Setembro 2017 | 16h42

Foto: Reprodução

No relatório de indiciamento dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, a Polícia Federal afirma que os empresários sabiam do ‘potencial da delação’ que fecharam com a Procuradoria-Geral da República quando realizaram operações milionárias no mercado de ações. A PF enquadrou Josley e Wesley por uso indevido de informação privilegiada para manipulação do mercado na Operação Tendão de Aquiles.

Os irmãos estão presos desde a semana passada. Joesley é alvo de dois decretos de prisão. Um da Tendão de Aquiles e outro por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por violação da delação premiada.

Por 4 votos a 1, STJ mantém Joesley e Wesley na prisão

O delegado Edson Fabio Garutti Moreira, da Polícia Federal, afirma no relatório que os irmãos usaram ‘informações relevantes que detinham (conteúdo da colaboração premiada) para realizar operações no mercado de capitais e auferir vantagens’.

“Os irmãos Joesley (diretor presidente da J&F Investimentos e pessoa que de fata detinha o poder de comando da empresa FB Participações) e Wesley (diretor presidente da JBS S/A), enquanto participavam dos procedimentos de negociação de colaboração premiada, sabendo do potencial desta delação no mercado de valores mobiliários brasileiro, utilizaram esta informação privilegiada, ainda sigilosa, determinando a realização de operações de compra/venda no mercado de valores mobiliários (pela FB Participações houve venda de lotes de ações que detinha de sua controlada JBS S/A; pela JBS S/A houve recompra de ações da própria companhia e também operações com contratos futuros e contratos a termo de dólares)”, anotou o delegado.

OUTRAS DO BLOG: + Temer recebeu propina por usina de Furnas no Rio Madeira, diz Funaro

Por 10 a 1, Supremo manda já para a Câmara 2ª flechada de Janot contra Temer

Procuradores reagem a ataques de Gilmar contra Janot e ‘Miller Maçaranduba’

Segundo Edson Garutti, ‘a venda de ações da JBS S/A por parte de sua controladora FB Participações no mesmo período em que a própria companhia JBS S/A utilizava o seu programa de recompra de ações, pela primeira vez em mais de um mês e meio de sua aprovação, revela ajuste e combinação de operações a fim de criar condições artificiais de mercado’.

“Além de ser vedada pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários, estas operações cruzadas, realizadas pela empresa controladora e sua controlada, inibiram uma queda mais acentuada do preço das ações enquanto a controladora FB Participações as estava vendendo (isto porque a própria JBS S/A inseria no mercado forte força compradora por meio destas primeiras execuções do programa de recompra de ações)”, afirmou o delegado.

Mais conteúdo sobre:

Operação Tendão de Aquiles