Joesley depõe hoje nos domínios de Janot

Joesley depõe hoje nos domínios de Janot

Delatores da JBS terão de se explicar, nesta quinta-feira, 7, sobre áudio que pode levar à rescisão de seus acordos de colaboração à Procuradoria-Geral da República

Luiz Vassallo, Beatriz Bulla, Breno Pires e Rafael Moraes Moura

07 Setembro 2017 | 18h18

O empresário Joesley Batista chega a Brasília pelo Setor de Hangares do Aeroporto. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O delatores da JBS Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco Carlos de Assis vão dar, nesta quinta-feira, 7, suas explicações sobre áudio que pode levar à rescisão de seus acordos de colaboração à Procuradoria-Geral da República.

O empresário é alvo de investigação por supostamente ter omitido crimes em seus termos de colaboração e pela menção que fez, em conversa gravada com o delator Ricardo Saud, no dia 17 de março, sobre supostos benefícios que teriam sido garantidos pelo ex-procurador da República Marcelo Miller aos delatores do Grupo.

Em face do teor dos áudios, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação da imunidade penal concedida a Joesley Batista e outros dois delatores do grupo J&F.

O áudio foi entregue pelos delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República em anexo complementar sobre o senador Ciro Nogueira (PP).

Miller. Em um dos trechos, Joesley ressalta a necessidade de ‘operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot’. “Fernandinha, você vai ajeitar o Marcelo, que nós já estamos ajeitando. Nós vamos conhecer o Janot, nós vamos conhecer não sei quem, e quem precisa do que?”.

O advogado Marcelo Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F.

Segundo Janot, a investigação pode culminar com a anulação do acordo da JBS, mas está fora de cogitação anular as provas entregues pelos executivos.

Supremo. Na conversa gravada, Joesley e Saud mencionam ainda um tal ‘Zé’ que teria ‘cinco ministros do Supremo Tribunal Federal nas mãos’. “Sabe que se nós entregar o Zé, nós entrega o Supremo”.

“Falei pro Marcelo: ‘Marcelo, você quer pegar o Supremo? Entrega o Zé. O Zé entrega o Supremo. Não, que isso, não aguenta meia hora.”

Nesta terça-feira, 5, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, gravou vídeo no qual exigiu investigação imediata sobre a menção a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na sessão desta quarta-feira, 06, o decano da Corte, Celso de Mello, pediu ‘transparência’ na apuração sobre o conteúdo do áudio e o ministro Luiz Fux chegou a sugerir que Joesley ‘deixe o exílio nova-iorquino e vá para o exílio da Papuda’. Três ministros da Corte declararam que, apesar da possível revisão do acordo, as provas entregues pelos delatores não devem ser anuladas.

COM A PALAVRA, A J&F

A assessoria do grupo J&F informou em nota que os colaboradores “apresentaram, dentro dos prazos legais estabelecidos, as informações e documentos que complementam os esclarecimentos prestados previamente à Procuradoria-Geral da República e continuam à disposição para cooperar com a Justiça”.

COM A PALAVRA, JOESLEY E SAUD

“A todos que tomaram conhecimento da nossa conversa, por meio de áudio por nós entregue à PGR, em cumprimento ao nosso acordo de colaboração, esclarecemos que as referências feitas por nós ao Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral da República e aos Excelentíssimos Senhores e Senhoras Ministros do Supremo Tribunal Federal não guardam nenhuma conexão com a verdade. Não temos conhecimento de nenhum ato ilícito cometido por nenhuma dessas autoridades. O que nós falamos não é verdade, pedimos as mais sinceras desculpas por este ato desrespeitoso e vergonhoso e reiteramos o nosso mais profundo respeito aos Ministros e Ministras do Supremo Tribunal Federal, ao Procurador-Geral da República e a todos os membros do Ministério Público”.