Job é vítima da família de Geddel, diz advogado

Job é vítima da família de Geddel, diz advogado

Marcelo Ferreira, advogado do ex-assessor de Lúcio Vieira Lima, diz que Job Brandão executava funções domésticas na casa da mãe de Geddel e que os peemedebistas exigiam a devolução de 70 a 80% de seu salário

Fabio Serapião, de Brasília

17 Novembro 2017 | 20h30

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O advogado Marcelo Ferreira, responsável pela defesa do ex-assessor parlamentar do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Job Ribeiro Brandão, afirmou que seu cliente era contratado para a Câmara dos Deputados, mas que “efetivamente trabalhava na casa da mãe dos parlamentares, exercendo atividades essencialmente domésticas,  totalmente estranhas ao interesse público”.

Job Brandão virou alvo da Operação Tesouro Perdido no momento em que a PF identificou suas digitais em parte dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador, a 1,2 km da residência de Geddel Vieira Lima. O ex-ministro e o deputado Lúcio Vieira Lima são investigados pelo crime de lavagem de dinheiro.

De acordo com o advogado, o ex-funcionário é vítima da família de Geddel Vieira Lima que “exigia, mensalmente, durante todos esses anos, a devolução de 70 a 80% de seu salário.” “Tive a oportunidade de visitá-lo e pude constatar a simplicidade de sua casa e a real condição financeira, totalmente incompatível com o salário de um secretário parlamentar”, disse o advogado ao Estado.

Em documento protocolado nesta sexta-feira, 17, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado informou ao ministro Edson Fachin o interesse do ex-assessor em assinar um acordo de colaboração premiada.

“A partir do depoimento de Job Ribeiro Brandão, prestado no dia 14/11/2017, na sede da Polícia Federal em Salvador, verifica-se com clareza solar que o requerente não pretende se furtar à aplicação da lei penal, ao contrário, manifestou, espontaneamente, o desejo de colaborar com as investigações”, diz a petição.

A defesa de Job mira três objetivos. O primeiro deles, a redução da fiança estipulada para sua soltura, já foi alcançado. O segundo seria derrubar o mandado de prisão expedido contra ele e a terceira é o ressarcimento dos valores que, segundo Job, eram devolvidos ao deputado e seu familiares. Para alcançar o terceiro objetivo, o ex-assessor deve indicar pessoas com conhecimento sobre a devolução de cerca de 80% do salário ao deputado.

Na petição encaminhada ao STF, o advogado de Job apontou que seu cliente é “primário de bons antecedentes, tem residência fixa na cidade de Salvador, tudo a demonstrar que não há risco para a ordem pública ou inconveniente para a investigação ou persecução penal com sua soltura.”

O Estado procurou o advogado Gamil Föppel, responsável pela defesa de Geddel Vieira Lima, mas ele não retornou aos contatos.