Janot vê ‘múltiplas causas’ para a suspeição de Gilmar no caso ‘rei do ônibus’

Janot vê ‘múltiplas causas’ para a suspeição de Gilmar no caso ‘rei do ônibus’

Ao pedir suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República aponta vínculos entre o magistrado e o empresário alvo da Operação Ponto Final

Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura, de Brasília, e Luiz Vassallo

22 Agosto 2017 | 05h00

Gilmar Mendes e Rodrigo Janot. Fotos: Carlos Humberto / STF e André Dusek / Estadão

Ao pedir a suspeição de Gilmar Mendes no âmbito de dois habeas corpus envolvendo alvos da Operação Ponto Final, braço da Lava jato no Rio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz ver ‘múltiplas causas que configuram impedimento, suspeição e incompatibilidade do Ministro Gilmar Mendes para atuar em processos envolvendo Jacob Barata Filho’.

O empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Fetranspor Lélis Teixeira deixaram na manhã deste sábado, 19, o presídio de Benfica. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes estendeu neste sábado, 19, o habeas corpus concedido ao empresário Jacob Barata Filho, o ‘rei do ônibus’, a outros quatro presos na Operação Ponto Final, desdobramento da Lava Jato no Rio.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou à presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, duas arguições de impedimento do ministro envolvendo os habeas concedidos ao ‘rei do ônibus’ e a Lélis Marcos Teixeira.


Os pedidos atendem a solicitação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro. Os procuradores do Rio cogitaram também a suspeição do advogado Rodrigo Mudrovitsch, mas a PGR não incluiu o criminalista entre supostos casos de suspeição e não indicou irregularidade nesse caso.

“Há múltiplas causas que configuram impedimento, suspeição e incompatibilidade do Ministro Gilmar Mendes para atuar em processos envolvendo Jacob Barata Filho”, afirma Janot.

Para Janot, o fato de Gilmar ter sido padrinho de casamento de Beatriz Barata, filha do empresário, cujo noivo é sobrinho de sua esposa, Guiomar Mendes, é um dos argumentos para a suspeição do ministro.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, ‘a busca e apreensão realizada na Operação Ponto Final’ também ‘permitiu compreender que, além das ligações sociais e comerciais, Jacob Barata Filho mantém estreita relação de amizade e compadrio com Francisco Feitosa, cunhado do ministro Gilmar Mendes’.

“As conversas de aplicativos que demonstram proximidade (encontro em Fortaleza) são de junho deste ano, dois meses antes de Gilmar Mendes assumir a relatoria”, afirmou.

COM A PALAVRA, GILMAR

O ministro Gilmar Mendes disse que ‘as regras de impedimento e suspeição às quais os magistrados estão submetidos estão previstas no artigo 252 do Código de Processo Penal, cujos requisitos não estão preenchidos no caso.”