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OPERAçãO LAVA JATO

Janot pede novo inquérito contra Eduardo Cunha por propina de R$ 52 milhões

Procurador-geral da República suspeita que presidente da Câmara recebeu valores de consórcio de empreiteiras nas obras do Porto Maravilha

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Julia Affonso e Fausto Macedo

29 Fevereiro 2016 | 22h27

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro, pela Procuradoria-Geral da República. Foto: André Dusek/Estadão

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro, pela Procuradoria-Geral da República. Foto: André Dusek/Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) novo inquérito contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) por suposto recebimento de R$ 52 milhões em propinas nas obras do Porto Maravilha. A informação foi divulgada pelo Jornal Nacional, da Rede Globo. É o terceiro inquérito contra o presidente da Câmara, que já foi denunciado na Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Eduardo Cunha nega ter recebido propinas.

Segundo a reportagem do Jornal Nacional, exibida nesta segunda-feira, 29, Janot suspeita que o deputado solicitou e recebeu propina de um consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia no valor global de R$ 52 milhões.

O novo inquérito tem base nas delações dos empresários Ricardo Pernambuco Júnior e seu pai Ricardo Pernambuco. Ambos apontaram o presidente da Câmara e outros dois personagens da Operação Lava Jato, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o doleiro Mário Góes, operador de propinas do esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Segundo os empresários, que firmaram acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República, o peemedebista teria recebido o equivalente a 1,5% dos títulos comprados pelo Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), paga em 36 parcelas, informou o Jornal Nacional.

A primeira transferência, de quase US$ 4 milhões, foi realizada para uma conta no Israel Discount Bank.

No pedido de abertura do terceiro inquérito contra o presidente da Câmara, Rodrigo Janot acentuou que as informações repassadas pelos delatores são ‘robustas’. A investigação preliminar já conta com documentos bancários que indicam transferências, extratos de contas na Suíça e correspondências eletrônicas.

A assessoria de imprensa de Cunha disse que ele ainda não foi informado sobre o pedido de Janot. A OAS e a Odebrecht não comentaram porque ainda não foram notificadas, destacou a reportagem.

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