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Janot ’empareda’ Eduardo Cunha ao pedir investigação contra sua mulher e filha nas mãos de Moro

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EDUARDO CUNHA

Janot ’empareda’ Eduardo Cunha ao pedir investigação contra sua mulher e filha nas mãos de Moro

Procurador-geral da República pede ao Supremo desmembramento de denúncia contra peemedebista; todos temem a pena pesada do juiz da Lava Jato

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Fausto Macedo e Julia Affonso

07 Março 2016 | 05h00

Rodrigo Janot acusa Eduardo Cunha de obstrução da Lava Jato. Fotos: Estadão

Rodrigo Janot (à esquerda) investiga Eduardo Cunha (à direita).
Fotos: Estadão

O procurador-geral da República Rodrigo Janot requereu ao Supremo Tribunal Federal que a investigação envolvendo a mulher e a filha do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) seja deslocada para as mãos do juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato. Janot sustenta que Cláudia Cordeiro Cruz e Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, mulher e filha do presidente da Câmara, estão envolvidas em parte dos crimes a ele atribuídos. O peemedebista foi denunciado nesta sexta-feira, 4, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade eleitoral.

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Segundo a Procuradoria, elas se favoreceram de valores de uma propina superior a US$ 5 milhões que Eduardo Cunha teria recebido ‘por viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobrás’.

A medida requerida por Janot põe o presidente da Câmara contra a parede. Todos temem a pena pesada do juiz da Lava Jato.

O procurador pediu o desmembramento dos autos que estão sob a guarda do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. Janot avalia que só deve permanecer no Supremo a parte da investigação que envolve Eduardo Cunha por ele ter foro privilegiado.

A etapa da apuração que cita a mulher e a filha do parlamentar deve descer para a primeira instância, no entendimento de Janot. Na primeira instância a Lava Jato é de Sérgio Moro.

“A reunião de imputados sem foro por prerrogativa de função não traria qualquer benefício à prestação jurisdicional, ao contrário, atrasa-la-ia sem ganhos”, destacou o procurador na petição a Teori. “Em relação a Cláudia Cordeiro Cruz e Danielle Dytz da Cunha Doctorovich a necessidade de união não se verifica necessária. Não haveria razão para denunciá-las aqui (no STF) e separar os autos em relação aos demais agentes envolvidos nos fatos.”

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O procurador-geral relata que ‘restou claro’ que Cláudia Cordeiro Cruz titulariza sozinha a conta Kopec – uma das contas na Suíça pela qual transitou dinheiro ilícito, segundo a investigação.

Dessa mesma conta aparece como beneficiária do cartão de crédito Danielle. O rastreamento do cartão de crédito mostra gastos sequenciais de grandes valores em restaurantes, hospedagens e viagens ao exterior.

“A conduta das investigadas adquire grau de autonomia apto a justificar a cisão processual”, escreveu Janot, ao requerer a remessa de cópia integral dos autos para a 13.ª Vara Federal de Curitiba, aos cuidados de Sérgio Moro, ‘com o intuito de apurar a conduta de todos os demais agentes envolvidos nos fatos que não possuam foro por prerrogativa de função’.

Na denúncia contra Eduardo Cunha, o procurador assinala que Cláudia Cruz, ‘nada obstante tenha declarado ser dona de casa nos documentos bancários suíços gastou US$ 7,7 mil na loja da Chanel em Paris em 9 de janeiro de 2014’.

O rastreamento do cartão de crédito dos Cunha mostra, ainda, que a mulher do deputado réu gastou em 11 de janeiro de 2014 US$ 2,64 mil na Christian Dior, mais US$ 4,18 mil na Loja Charvet Place Vendôme e ainda US$ 2,94 mil na loja de roupas Balenciaga.

No dia 2 de março de 2014, agora em Roma, a mulher do presidente da Câmara gastou US$ 4,49 mil na Prada e seis dias depois, já em Lisboa, outros US$ 3,53 mil na Louis Vuitton.

“A filha de Eduardo Cunha também efetuou diversos gastos, inclusive em lojas de grife”, aponta Janot. “Todos estes valores foram pagos com parte do dinheiro de propina recebido por Eduardo Cunha.”

O deputado Eduardo Cunha nega ter recebido propinas no esquema de corrupção da Petrobrás.

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