Janot diz que Temer, Aécio e Alexandre de Moraes tentaram barrar a Lava Jato

Janot diz que Temer, Aécio e Alexandre de Moraes tentaram barrar a Lava Jato

Procurador-geral atribui ao presidente, ao senador afastado e ao ministro do Supremo tentativa de 'organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem por meio da escolha dos delegados federais que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições'

Julia Affonso e Luiz Vassallo

19 Maio 2017 | 19h47

Aécio Neves e Alexandre de Moraes. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em conversa com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o empresário Joesley Batista, delator da JBS, afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ‘é bom’. O diálogo foi gravado pelo executivo e entregue à Procuradoria-Geral da República em seu acordo de delação premiada.

Ao pedir para investigar o presidente Michel Temer (PMDB), junto com Aécio e o deputado Rodrigo Rocha Lures (PMDB-PR), o procurador-geral Rodrigo Janot destacou que o tucano ‘teria tentado organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem, por meio da escolha dos delegados (da Polícia Federal) que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições’.

Janot informou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o grupo não conseguiu barrar da Lava Jato.

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No diálogo, Aécio e Joesley conversavam sobre o projeto do abuso de autoridade e a Operação Carne Fraca, que cercou os maiores frigoríficos do País e prendeu um funcionário da JBS.

“O que tem que parar é o abuso de autoridade. Porque os caras que, eu digo assim, quem não sofre as consequências, agem de forma inconsequente. O procurador simplesmente barbariza, pé, pá, faz estardalhaço, igual essa Carne Fraca aí que (inaudível) toca fogo no circo, vai embora”, diz Joesley a Aécio.

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“Vou te falar aqui com a sinceridade de um amigo fraterno que você tem (inaudível) Para vocês, todo o negócio foi uma merda, o conjunto da obra não foi, porque (inaudível) esse filho da puta também da (inaudível). É um negócio muito (inaudível). Foi uma cagada (inaudível)”, afirma o tucano.

“(inaudível) Tem que aproveitar agora e capitalizar isso”, responde o empresário.

A conversa segue com trechos inaudíveis.

Adiante, Aécio cita ‘Alexandre, Alexandre de Moraes’.

“Esse é bom”, diz o empresário.

Em outro trecho, Aécio reclama do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), a quem chama de ‘bosta do caralho’.

O tucano comenta em seguida. “( … ) O que vai acontecer agora, vai vir inquérito sobre uma porrada de gente, caralho, eles aqui são tão bunda mole, que eles não notaram o cara que vai distribuir os inquéritos para os delegados, você tem lá, sei lá, tem dois mil delegados na Polícia Federal, aí tem que escolher dez caras. O do Moreira (Franco), o que interessa a ele, sei lá, vai pro João, o do Aécio vai pro Zé. O outro filho da puta vai pro, foda-se, vai para o Marculino, nem isso conseguiram terminar, eu, o Alexandre e o Michel”.

COM A PALAVRA, AÉCIO NEVES

NOTA À IMPRENSA

Não existe qualquer ato do senador Aécio Neves, como parlamentar ou presidente do PSDB, que possa ter colocado qualquer empecilho aos avanços da Operação Lava Jato. Ao contrário, como presidente do partido, o senador foi um dos primeiros a hipotecar apoio à operação.

Manifestar posições em relação a propostas legislativas é algo inerente à atividade parlamentar, o que possibilitou inclusive a introdução no texto sobre abuso de autoridade de sugestões feitas tanto pelo senhor procurador-geral, como pelo juiz Sérgio Moro, a exemplo da retirada do texto do chamado crime de hermenêutica, de cujo entendimento o senador participou intensamente.

Em relação aos comentários feitos em conversa privada sobre delegados da Lava Jato, o senador emitiu uma opinião em face da demora da conclusão de alguns inquéritos.

O senador Aécio Neves jamais agiu ou conversou com quem quer que seja no sentido de criar qualquer tipo de empecilho à Operação Lava Jato ou à Polícia Federal, que sempre teve seu trabalho e autonomia apoiados pelo senador em suas agendas legislativas, e também como dirigente partidário.

Fato que pode ser verificado nas diversas oportunidades em que ele se pronunciou publicamente em apoio à instituição e na defesa no Orçamento da União da garantia dos recursos necessários para o cumprimento das atividades de polícia.

Assessoria do senador Aécio Neves

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