Irmã de Aécio queria R$ 40 mi para compra de apartamento, diz delator

Irmã de Aécio queria R$ 40 mi para compra de apartamento, diz delator

Andrea Neves, presa pela Polícia Federal na Operação Patmos, alegou que dinheiro seria para compra de apartamento da mãe; Joesley Batista, da JBS, diz que 'condicionou' repasse à nomeação de um indicado seu para o comando da Vale, mas operação não se concretizou

Fábio Fabrini, Fabio Serapião e Beatriz Bulla, de Brasília

19 Maio 2017 | 17h17

REUTERS/Cristiane Mattos

A empresária Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), pediu R$ 40 milhões ao dono da JBS, Joesley Batista, “para comprar um apartamento” no Rio de Janeiro. A informação foi revelada por Joesley em depoimento de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele disse que condicionou o pagamento à nomeação de um indicado seu para o comando da Vale, mas que a operação não se concretizou.

Andrea Neves foi presa preventivamente nesta quinta-feira, 18, por suspeita de intermediar pagamento de propina de R$ 2 milhões ao irmão, que foi afastado do cargo. Além dela, foi preso o primo do tucano, Frederico Pacheco, flagrado recolhendo o dinheiro.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), entendeu ser “imprescindível” a decretação da prisão de Aécio, mas não o fez, justificando que a Constituição não autoriza encarcerar integrantes do Congresso, salvo “em flagrante de crime inafiançável”. O ministro deixou a decisão para o plenário da Corte, em caso de eventual recurso do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Conforme um dos depoimentos do delator, Andrea pediu os R$ 40 milhões, “que seriam para comprar um apartamento da mãe”, no Rio. Nesse contexto, ele explicou que pediu a Aécio a nomeação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobrás, para presidir a Vale.

O dono da JBS explicou que, com a nomeação de Bendine, “resolveria o problema dos R$ 40 milhões pedidos por Andrea”. Mas Aécio, segundo ele, disse que já havia indicado outra pessoa para a vaga, dando a ele a oportunidade de escolher qualquer uma das outras diretorias da mineradora. O tucano teria dito para o delator esquecer o pedido milionário da irmã, pois todos os contatos seriam feitos com ele próprio.

O depoimento de Joesley diz que Aécio teria pedido várias quantias a ele. Chegou, por exemplo, a vender um apartamento superfaturado, de R$ 17 milhões, a uma pessoa indicada pelo senador para passar o dinheiro a ele.

O advogado de Andrea Neves, Marcelo Leonardo, disse na tarde desta sexta-feira, 19, que só se pronunciará depois de ter acesso integral ao inquérito. À noite, a assessoria do senador afastado enviou nota, sustentando que “nunca foi solicitado ao empresário” R$ 40 milhões para a compra de um apartamento.

“Andrea Neves, irmã do senador, em busca de apoio para pagamento da defesa do irmão, a pedido dele procurou o empresário, a quem não conhecia, e ofereceu a ele comprar o referido apartamento de propriedade de sua mãe há mais de 30 anos, e onde ela ainda reside, como forma de, como parte da venda, a família poder honrar as despesas com a defesa do senador”, alegou a assessoria. “O mesmo imóvel já fora oferecido para outros empresários brasileiros sem sucesso”, acrescentou.

A assessoria de Aécio sustentou que o mesmo assunto foi levantado pelo Senador Aécio Neves em conversa gravada pelo delator Joesley e tornada pública na tarde de sexta-feira. “O que é negócio da minha irmã? O negócio é o seguinte: a minha mãe tem um apartamento no Rio de Janeiro, vale isso e que vale um aluguel de 50 pratas também por mês. Nós estamos f…, irmão”, disse o senador afastado ao empresário, conforme trecho transcrito por sua assessoria.

“Jamais houve, assim, pedido de recursos para a compra de um apartamento, mas, sim, que o apartamento da família fosse comprado pelo empresário.
A proposta de um pagamento feito de forma direta pra os advogados foi feita pelo delator já como estratégia da sua delação”, diz a nota.

COM A PALAVRA, AÉCIO

A defesa do senador Aécio Neves informou, em nota, que a conversa com Joesley Batista se referia a uma relação entre ‘pessoas privadas, sem a negociação de contrapartidas, ato ilegal ou relação com o poder público’.
“Tratou-se única e exclusivamente de uma relação entre pessoas privadas, em que o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal”, afirma o advogado do tucano José Eduardo Alckmin.

 

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