1. Usuário
Fausto Macedo
Assine o Estadão
assine
Fausto Macedo

Fausto Macedo

Repórter

EM ALTA

Gil Arantes

Investigado por fraudes na merenda revela ‘compromisso de 30%’ com Gil Arantes (DEM)

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23/01/2016, 05h00

   

Adriano Mauro, preso na Operação Alba Branca, afirmou à Polícia Civil que contrato entre cooperativa e prefeitura de Barueri (SP) 'foi fraudado'

Gil Arantes é prefeito de Barueri. Foto: Reprodução/Facebook GIl Arantes

Gil Arantes é prefeito de Barueri. Foto: Reprodução/Facebook GIl Arantes

Um dos investigados na Operação Alba Branca, o funcionário da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) Adriano Gibertoni Mauro afirmou, em depoimento, à Polícia Civil, que ‘foi fraudado’ um contrato firmado entre a entidade e a Prefeitura de Barueri, cidade da região Metropolitana de São Paulo. A Alba Branca, deflagrada na terça-feira, 19, apura suposto esquema de fraudes na compra de produtos agrícolas, vendidos pela Coaf, destinados à merenda escolar de prefeituras e do Governo de São Paulo. Adriano Mauro citou um ‘compromisso’ de 30% feito pela Coaf ao prefeito do município, Gil Arantes (DEM).

A investigação cita como supostos envolvidos o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB), o presidente estadual do PMDB, deputado federal Baleia Rossi, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, o ‘Moita’ – afastado do cargo um dia antes do estouro da operação pela Polícia Civil de Bebedouro -, além de cerca de 20 prefeituras.

Em outra investigação, Gil Arantes está sob suspeita de desviar recursos públicos, em proveito próprio e de terceiros, por meio de indenizações de desapropriações efetuadas entre 1997 e 2004. A Procuradoria-Geral de Justiça apura crimes de responsabilidade e lavagem de dinheiro. Em fevereiro de 2015, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou imediato afastamento de Gil Arantes da Prefeitura. Algumas semanas depois, em março do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que o prefeito voltasse ao cargo.

Adriano Mauro, da Coaf, afirmou que ‘tem conhecimento’ que o contrato entre a Cooperativa e a prefeitura de Barueri estava fraudado. Segundo ele, o acordo havia sido celebrado pelo presidente da Coaf, Cássio Chebabi, e o vendedor Emerson Girardi com Gil Arantes.

Adriano Mauro reconheceu o prefeito por foto.

“Tem conhecimento que esse contrato estava fraudado porque Cássio e Emerson se comprometeram a pagar 30% de seu valor ao citado prefeito, valor evidentemente impossível de ser saldado; tem conhecimento também que esse acordo não teria sido cumprido, uma vez que o prefeito não recebeu o dinheiro combinado, tanto que ele fechou as portas da prefeitura para a Coaf”, declarou;

Adriano Mauro relatou que ’em razão desse quadro’, ele, outro funcionário da Coaf, César Augusto Bertholino, o filho do ex-deputado estadual e federal Leonel Julio, Marcelo Ferreira Julio – apontado como intermediador de propina -, e uma pessoa identificada como ‘Moacir’ se reuniram no escritório de ‘Moacir’, em Barueri. Segundo ele, também ‘tomou parte’ da reunião a secretária de Finanças de Barueri, Geanete Resende da Silva.

“O declarante em conjunto com César, Moacir e Marcel realizaram uma reunião, no escritório de Moacir, localizado em Barueri1 da qual tomou parte também uma secretária da prefeitura de Barueri; acreditando ser a de Educação ou Finanças, salvo engano de nome Gianete”, disse.

“Ficou combinado nessa reunião que a Coaf honraria todas as comissões combinadas com a prefeitura, caso as portas dela voltassem a se abrir para a Coaf; ficou combinado que o novo edital sairia no inicio de 2016, mas ainda não
Saiu.”

Três investigados pela Alba Branca também ligaram o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, conhecido como “Moita”, ao suposto esquema.

Em depoimento à Polícia Civil, na terça-feira, 19, os funcionários da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) afirmaram que a propina chegava a ser de 25% dos contratos. Em detalhes, eles relatam como eram feitos as entregas de pacotes de dinheiro vivo, depósitos em contas e acertos em postos de combustível às margens de rodovias.

COM A PALAVRA, O PREFEITO GIL ARANTES

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Barueri respondeu a perguntas enviadas pela reportagem:

ESTADÃO: Gil Arantes conhece Cássio Chebabi, presidente da Coaf? Eles têm relações comerciais? São amigos?

GIL ARANTES: NÃO.

ESTADÃO: Gil Arantes conhece Emerson Girardi, vendedor da Coaf? Eles têm relações comerciais? São amigos?

GIL ARANTES: NÃO.

ESTADÃO: Qual o valor do contrato da Prefeitura de Barueri com a Coaf? Qual a duração do contrato?

GIL ARANTES: O contrato foi assinado em 19 de março de 2014, com vigência de quatro meses e valor de R$ 747 mil. A prefeitura, posteriormente, fez mais uma licitação, mas nenhum participante da Coaf se apresentou para a disputa (havendo apenas uma consulta de preço no processo licitatório de 2015 por parte desta cooperativa).

ESTADÃO: Gil Arantes conhece ‘Moacir’? Ele é funcionário da prefeitura?

GIL ARANTES: DA FORMA COMO ESTE NOME ESTÁ APRESENTADO, NÃO.

ESTADÃO: Geanete Resende da Silva participou do encontro mencionado pelo investigado?

GIL ARANTES: NÃO.

(Visited 162 time, 4 visit today)

 

 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.