Intervenção no Rio tem aprovação de três em cada quatro brasileiros, diz pesquisa

Intervenção no Rio tem aprovação de três em cada quatro brasileiros, diz pesquisa

Levantamento da Ipsos, realizado na primeira quinzena de março, ouviu 1.200 pessoas em 72 cidades; 56% acreditam que ação vai resolver o problema da segurança pública no Estado; índice é maior no centro-oeste e menor no sul

Luiz Vassallo

03 Abril 2018 | 14h12

FOTO: FABIO MOTTA/ESTADAO

A intervenção federal no Rio, decretada em fevereiro, tem apoio da maioria da população brasileira (75%), segundo pesquisa conduzida pela Ipsos na primeira quinzena de março. A aprovação é maior ainda nas regiões norte e nordeste (ambas com 83%) e centro-oeste (81%). Apenas dois em cada dez entrevistados no Brasil todo (18%) se posicionaram contra a ação militar. No sul do País, esse número sobe para 33%.

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A pesquisa entrevistou presencialmente 1.200 pessoas em 72 cidades do Brasil de 1.º a 13 de março e integra o estudo Pulso Brasil, realizado mensalmente pela Ipsos. A margem de erro é de três pontos percentuais.

“A violência é tida como um dos cinco maiores problemas enfrentados pelos brasileiros, segundo nosso monitoramento mensal de opinião pública, o Pulso Brasil. Além disso, houve muita exposição de cenas de criminalidade e violência durante o Carnaval, um pouco antes da intervenção ser anunciada e esses dois fatores contribuem para a alta aprovação da medida neste primeiro momento”, analisa Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos.

Para 56% dos entrevistados, a intervenção federal ‘tende a resolver o problema de segurança pública do Rio’.
Os mais otimistas são os moradores do centro-oeste (78%) e nordeste (74%). Só na região sul, há uma opinião divergente, a maioria (55%) acredita que a ação tende a não resolver o problema.

Seis em cada dez entrevistados (64%) declaram que são a favor do Governo Federal intervir na segurança pública do seu estado, se necessário. O índice é mais alto no norte (80%), nordeste (72%) e centro-oeste (71%). Novamente, o sul aparece como a região menos favorável a esse tipo de medida, embora dividido (47% apoiaria e 46% não apoiaria).

Quase metade dos brasileiros (46%) não ouviu falar sobre a criação do Ministério da Segurança Pública, criado no final de fevereiro para coordenar e promover a integração da segurança pública em todo país, em cooperação com os estados e Distrito Federal. Os que têm conhecimento sobre o novo órgão são 53% da população.

O estudo também perguntou quem são os que mais ganham com a intervenção. ‘O cidadão do Rio’ ficou em primeiro lugar, com 33%, seguido por ‘o presidente Michel Temer’, com 18%, e ‘os mais pobres’, com 15%.

Quando a questão é quem mais perde, ‘o crime organizado’ lidera com 53%. ‘Os mais pobres’ aparecem em segundo lugar com13%.