Integração entre a segurança pública e privada pode fazer a diferença

Jeferson Nazário*

06 Julho 2017 | 04h30

Parceria entre público e privado há muito deixou de ser apenas um conceito. Diversos empreendimentos no Brasil já adotam essa sistemática. O que muita gente ainda não sabe é que essa integração pode ser elevada de forma exponencial na segurança.

Desde que surgiu da forma que conhecemos hoje, no final da década de 1960, a segurança privada não foi concebida ou teve a intenção de concorrer com a segurança pública. Pelo contrário. Seu papel sempre foi complementar. A área de atuação dos vigilantes é delimitada por lei.

As empresas de segurança privada atuam no chamado intramuros, ou seja, da rua para dentro. A proteção é preventiva. Este é, justamente, o primeiro ponto que trago a reflexão. Ao atuar na segurança interna de comércios, indústria, condomínios e até de órgãos governamentais, a segurança privada libera o efetivo das forças de segurança oficiais para atuarem nas áreas públicas, no combate de fato da criminalidade.

Apenas este exemplo já expõe, de forma cristalina, o conceito de complementariedade entre as seguranças. Mas podemos ir bem mais longe.


Estudo publicado na semana passada pela Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), com base em dados do Ministério do Trabalho, Polícia Federal, IBGE, entre outros, mostra que, atualmente, a segurança privada possuiu cerca de 2.600 empresas e 600 mil profissionais, incluindo os vigilantes e profissionais de outras áreas.

E não é só isso. Quase 3.600 veículos leves atuam na escolta de cargas em todo Brasil. Outros 4.333 carros-fortes são utilizados no transporte de valores. Nesse quesito ainda é bom ressaltar que as empresas de transporte de valores também são as responsáveis por abastecer todos os caixas eletrônicos do País. Além disso, há as inúmeras câmeras de monitoramento espalhadas por diversos pontos das cidades brasileiras e que são de responsabilidade de nossas empresas.

Toda essa estrutura está à disposição da segurança pública. Sim, em época de recursos escassos por parte do governo, nós poderíamos dar uma contribuição ainda maior para a sociedade.

Em Manaus, capital do estado do Amazonas, por exemplo, há dois anos a Secretaria de Segurança Pública assinou um convênio que permite a utilização das imagens das câmeras das empresas de segurança privada no monitoramento e combate aos crimes.

Projeto semelhante está perto de ser iniciado na cidade de São Paulo. O acordo entre a prefeitura e o sindicato que representa as empresas no estado está próximo de ser concluído.

Iniciativas que podem ser reproduzidas em todo Brasil. As imagens das câmeras de circuito de TV, controladas por nossas empresas, podem ajudar a aumentar significativamente os pontos de monitoramento da segurança pública. Nossos vigilantes podem se tornar em olhos, ouvidos e parceiros, ajudando as forças públicas com informações preciosas.

Acreditamos que temos muito a colaborar. Basta um chamado, de maneira transparente, das forças de segurança pública que nos prontificamos a contribuir para o combate a violência e a melhoria na vida de toda população.

*Presidente da Fenavist

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