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ATIBAIA

Havia câmeras por toda a parte, afirma arquiteto do sítio de Atibaia

Igenes Irigaray Neto relatou ao Ministério Público que se reportava sempre ao caseiro 'Maradona', do Santa Bárbara, frequentado pelo ex-presidente Lula

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

03 Março 2016 | 05h00

Antena da operadora Oi que fica próxima do sítio em Atibaia frequentado por Lula. FOTO: MARCIO FERNANDES/ESTADÃO

Sítio em Atibaia frequentado por Lula. FOTO: MARCIO FERNANDES/ESTADÃO

O arquiteto e urbanista Igenes dos Santos Irigaray Neto, que trabalhou em 2011 nas obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pelo ex-presidente Lula e sua família, revelou detalhes do local em depoimento ao Ministério Público de São Paulo. Segundo Igaray Neto, o sítio é ‘totalmente fechado e havia câmeras por toda a parte’.

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O arquiteto afirmou que ‘a única pessoa’ que autorizava a entrada na propriedade era o caseiro ‘Maradona’.

“O depoente comprava material de construção no depósito Fernão Dias, loja que fica no pé do Morro em que o sítio se localiza, bairro Portão. A comunicação não era direta com o proprietário. Geralmente via telefone, mas também pessoalmente. Falava com vários vendedores. A maioria do material chegava de fora, por exemplo, a estrutura metálica. Não se recorda o nome do sítio”, afirmou. “O depoente se reportava ao caseiro, vulgo “Maradona”. Tratava-se da única pessoa que o depoente tinha contato. O sítio é totalmente fechado. Havia câmeras por toda a parte e a única pessoa que autorizava a entrada era o caseiro ‘Maradona’.”

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Igenes Igaray Neto trabalhava para a empresa Fernandes dos Anjos e Porto Montagem. Em depoimento ao promotor de Justiça Cássio Conserino, o arquiteto afirmou que Fernandes dos Anjos era contratada da Usina São Fernando, ligada ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

Bumlai está preso desde 24 de novembro de 2015, quando foi deflagrada a Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato.

“O depoente não conhece José Carlos Bumlai. Não tem relação profissional com ele. Sabe dizer que a empresa Fernandes dos Anjos era contratada pela Usina São Fernando para fazer parte da construção da Usina. Interpelado sobre se a Usina São Fernando foi contratada pelo responsável pelo sítio em Atibaia para fazer a ampliação e subcontratou esse serviço a empresa Fernandes dos Anjos, o depoente disse que não tem condições de responder, porque foge ao seu grau de conhecimento à medida em que foi apenas um arquiteto com vínculo empregatício na fazenda”, disse.

“Em área útil, a estrutura da ampliação do qual o depoente foi executor situou-se em, aproximadamente, 110 metros quadrados. Enunciou que os quartos mediam 4m por 4m e um banheiro de 1,5m por 2m.”

O depoimento de Igenes Igaray Neto foi tomado em 15 de janeiro de 2016. Segundo ele, ‘havia a exigência de entregar a obra para o Natal (2011), por isso queriam terminar em 120 dias’. O arquiteto afirmou que ‘não teve contato com nenhum proprietário do sítio’ e ‘não sabia quem utilizaria o sítio’.

“O depoente atuou, efetivamente, no sítio e o objetivo seria a proposição de uma ampliação no local consistente em fazer um anexo de 4 suítes. Esclareceu que na localidade havia uma sede antiga. Por conta de ser uma estrutura antiga, não havia condições de anexá-la ao novo projeto de ampliação. O propósito da ampliação seria aumentar os quartos do prédio antigo, que só possuía dois quartos. Essa determinação proveio da empresa contratada Fernandes dos Anjos, do qual o depoente era arquiteto”, afirmou.

O arquiteto foi questionado sobre a identidade do dono do sítio. “Interpelado sobre se o sítio pertenceria a possíveis “laranjas” ligados ao filho do ex-presidente da República, o depoente disse que não sabe e que tomou contato com essa informação através da mídia. Efetivamente não sabe dizer se Fernando Bittar e Jonas Suassuna constam como proprietários do sítio. Não conhece o indivíduo chamado Matuzalém. Não houve trabalhadores paraguaios clandestinos que trabalharam no sítio. Um dos seus funcionários, de descendência paraguaia, estava devidamente registrado e o apelido dele era “Paraguai”.

A defesa do ex-presidente afirma que Lula e seus familiares não são proprietários do Santa Bárbara.

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