Glaucos pede a Moro ‘força policial’ para acessar câmeras do Sírio

Glaucos pede a Moro ‘força policial’ para acessar câmeras do Sírio

Advogados do engenheiro acusado de ser laranja do ex-presidente Lula em supostas propinas da Odebrecht dizem que foram barrados pelo hospital após decisão Judicial que determinou fornecimento das imagens; defesa tenta provar que Glaucos foi visitado pelo compadre do petista enquanto esteve internado para acertar a assinatura de recibos de apartamento alvo da Lava Jato

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

02 Fevereiro 2018 | 17h30

Glaucos da Costamarques. Foto: Reprodução

Os advogados do engenheiro Glaucos da Costamarques, apontado como laranja do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em supostas propinas da Odebrecht, afirmaram em petição ao juiz federal Sérgio Moro que o hospital Sírio Libanês descumpriu de decisão do magistrado ao não fornecer vídeos de câmeras internas da instituição. O magistrado havia determinado que o hospital fornecesse as imagens à defesa do engenheiro no âmbito da investigação que apura suspeita de falsidade sobre recibos de aluguel de imóvel entregues pelo petista à Justiça. Os defensores tinham como objetivo provar que o advogado Roberto Teixeira, ligado ao ex-presidente, o visitou no hospital enquanto Glaucos esteve internado, em 2015, para combinar a assinatura dos documentos.

O hospital afirma que tem cumprido todas as recomendações do Ministério Público.

Nos dias 18 e 19 de janeiro, um dia após Moro ter autorizado acesso às imagens à defesa de Glaucos, os advogados afirmam ter comparecido ao Sírio-Libanês, onde foram encaminhados ‘pelo front desk do hospital para tratar com duas pessoas’. “Uma delas se apresentou por Osvaldo e se disse responsável pelo Serviço de Segurança do hospital, outra (uma mulher) diz-se responsável pela Comunicação da instituição, mas não se apresentou”.

“No entanto, por meio desses indivíduos, o hospital negou ao causídico o acesso aos tais vídeos, nem no próprio hospital, nem por meio de cópias, alegando que, muito embora já tivesse recebido o ofício desse juízo ordenando-lhe o cumprimento da diligência (Evento 1465), não iria permitir o acesso, pois que já teria prestado informações sobre isto diretamente ao juízo. Os autos, no entanto, não confirmam a existência de resposta do hospital ao juízo, o que foi aguardado pela defesa no limite do prazo que lhe foi assinado, antes de manifestar o presente inconformismo”, relatam.

Os advogados pedem que Moro ‘ordene a expedição de novo ofício ao hospital, destacando-lhe as advertências de que a reiteração da conduta de impedir o acesso aos vídeos caracterizará crime de desobediência’.

Eles pedem ainda ‘que seja autorizado, desde já, o uso de força policial para que possa ser dado cumprimento à referida ordem judicial se restar caracterizado o flagrante delito por conta de nova negação por parte do hospital’.

Glaucos é réu em ação penal na qual Lula foi denunciado por receber R$ 12,5 milhões em propinas da Odebrecht. O engenheiro é acusado de atuar como laranja na compra e titularidade do apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, que teria sido custeada pela empreiteira. A defesa do ex-presidente alega que Lula pagou pelo aluguel do apartamento em São Bernardo do Campo e que não aceitou o imóvel para a sede do Instituto. Já a Lava Jato afirma, em denúncia, que o presidente nunca pagou os aluguéis do imóvel vizinho à sua residência, no edifício Hill House.

Lula entregou recibos ao juiz Sérgio Moro do pagamento dos aluguéis. Dois comprovantes apresentam datas que não existem no calendário. Parte dos documentos ainda apresenta os mesmos erros de ortografia. Sobre os papéis, foi aberto incidente de falsidade.

Em depoimento, Glaucos afirmou que, quando esteve internado no hospital Sírio Libanês, entre novembro e dezembro de 2015, recebeu o advogado Roberto Teixeira – também réu nesta ação pelo suposto intermédio da compra de imóveis em benefício de Lula – e, no dia seguinte, foi visitado pelo contador João Muniz Leite, quando assinou diversos recibos de pagamentos referentes a 2015 de uma vez só.

Intimado a entregar os recibos de visitas ao engenheiro, o hospital comunicou a Moro que houve três visitas do contador a Glaucos, porém, nenhuma do advogado do ex-presidente. O juiz voltou a pedir, desta vez, quaisquer registros de entrada de Roberto Teixeira, mesmo que não tenham sido para eventual visita a Glaucos.

Em 20 de outubro, o hospital voltou a ‘esclarecer que não localizou registros de ingresso de Roberto Teixeira ocorridos durante o segundo semestre de 2015’.

COM A PALAVRA, O SÍRIO

“O hospital Sírio Libanês informa que atendeu a todas as solicitações do MP”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.