Veja por que Gilmar negou habeas a presos por condenação após segunda instância

Veja por que Gilmar negou habeas a presos por condenação após segunda instância

Leia a decisão do ministro Gilmar Mendes que frustrou pedido coletivo em benefício a todos os presos após segunda instância no país

Breno Pires e Amanda Pupo/BRASÍLIA

19 Março 2018 | 21h48

Gilmar Mendes. Foto: AFP PHOTO / EVARISTO SA

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na noite desta segunda-feira, 19, o habeas corpus coletivo que buscava a libertação e a proibição da prisão de todos os condenados em segunda instância no país. O ministro afirmou que isso “geraria uma potencial quebra de normalidade institucional”.

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A decisão foi tomada em meio à pressão no Supremo por um julgamento que poderia marcar a mudança do entendimento atual da Corte, que permite a prisão em segunda instância. Um dos vencedores no julgamento que definiu a jurisprudência, Gilmar Mendes já anunciou que mudará de lado na votação e é um dos que pressionam pela rediscussão.

Gilmar Mendes julgou incabível conceder tal benefício indistintamente, sem considerar caso a caso, mesmo diante da hipótese de o tribunal mudar a jurisprudência atual e passar a exigir o esgotamento dos recursos. O ministro entende as prisões bem fundamentadas e que cumprem os resuisitos para serem decretadas não poderiam ser anuladas de uma só vez.

“A pretensão dos impetrantes, assim genérica, é, em si mesma, jurídica e faticamente impossível, não podendo ser acolhida, haja vista a necessária análise da questão em cada caso concreto. Seria temerária a concessão da ordem, um vez que geraria uma potencial quebra de normalidade institucional”, disse Gilmar Mendes.

Os autores do habeas corpus afirmavam que a ministra presidente do Supremo, Cármen Lúcia, estava sendo omissa ao não pautar para o plenário do tribunal o julgamento das ações que discutem as ações que tratam da prisão antes do trânsito em julgado. A ação utilizava como argumento a decisão da Segunda Turma do STF que permitiu que grávidas e mães presas possam passar para a prisão domiciliar.

“A alegada omissão não retira a justa causa das prisões efetuadas, tampouco de eventuais prisões vindouras, razão pela qual não pode ser reconhecida como constrangimento ilegal”, disse Gilmar Mendes.

PRAZO. O ministro Gilmar Mendes é reconhecidamente favorável ao julgamento imediato, no plenário, das duas ações declaratórias de constitucionalidade que tratam da prisão em segunda instância. Mas, na decisão, o ministro diz que o fato de a presidente Cármen Lúcia não pautar as ações não é um motivo para atender ao pedido das defesas.

“É de se observar que os referidos processos foram disponibilizados para julgamento pelo eminente Relator em 5.12.2017, não havendo falar-se em tempo flagrantemente irrazoável para julgamento que possa comprometer a garantia constitucional da razoável duração do processo insculpida no art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal”, disse Gilmar Mendes.

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