Geraldo, entregador de dinheiro, tem foto na portaria de marqueteiro de Gleisi

Geraldo, entregador de dinheiro, tem foto na portaria de marqueteiro de Gleisi

Funcionário da empresa Transnacional, famosa pelo transporte de propinas da Lava Jato, foi identificado como o contato com o doleiro Álvaro Novis - usado pela Odebrecht - para efetivação de repasses à empresa de responsáveis pela campanha de 2014 da petista ao Senado

Luiz Vassallo

01 Maio 2018 | 05h36

Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo. Foto: André Dusek/Estadão

No rastro da suposta propina da Odebrecht à senadora Gleisi Hoffmann, a Polícia Federal chegou ao responsável pelo transporte de dinheiro da empreiteira aos marqueteiros de campanha da petista. A presidente do PT foi denunciada, ao lado de Lula, Palocci, seu marido Paulo Bernardo e Marcelo Odebrecht, por corrupção e lavagem de dinheiro. Até mesmo a fotografia de Geraldo Oliveira, o entregador de dinheiro, foi encontrada nos registros de entrada e saída do prédio onde fica a empresa dos responsáveis pela campanha de Gleisi.

A peça acusatória destaca que a ‘investigação feita pela autoridade policial coligiu muitos documentos, apreendidos por ordem judicial de busca e apreensão (como planilhas, e-mails), inclusive mediante quebra de sigilo telefônico, requeridas pelo Ministério Público Federal’.

A denúncia expõe que Gleisi fez, em datas próximas aos supostos repasses, 13 ligações para o delator da Odebrecht, Benedicto Júnior, o ‘BJ’. Seu chefe de gabinete, Leones Dall’Agnol, também fez outras quatro ligações e enviou mensagens de texto ao celular do executivo.

Paralelamente aos contatos, a procuradora-geral destaca que o departamento de propinas da Odebrecht providenciava os pagamentos via doleiros.

Dados do Drousys, sistema de contabilidade das vantagens indevidas da empreiteira, dão conta de datas dos repasses a endereços de marqueteiros de campanha de Gleisi.

Em denúncia, Raquel afirma que cruzamento das investigações feitas pela Polícia Federal no inquérito do STF com ‘as produzidas pela Lava Jato em Curitiba levou à identificação da pessoa que levou, em três oportunidades, dinheiro ao endereço da rua Gomes de Carvalho, 921, Vila Olímpia, São Paulo, sede da SOTAQUE PUBLICIDADE E PROPAGANDA’.

“Com efeito, a juntada a estes autos de termos de declarações de doleiros da empresa Hoya Corretora de Valores e Câmbio53(fls. 383/386) levou a investigação ao doleiro Álvaro José Galliez Novis, operador financeiro que providenciava dinheiro vivo.

Raquel destaca que a ‘Hoya, para atender às demandas de entrega de dinheiro vivo da Odebrecht, subcontratava empresas de transporte de valores. Uma delas, nas palavras de NOVIS (fl. 383), foi a Transnacional’.

” Identificada a empresa Transnacional, a investigação evoluiu para identificar o responsável, em nome dela, por levar dinheiro da Odebrecht para a Sotaque”, detalha.

Em depoimento, no âmbito das investigações, Rogério Martins, da Hoya, ‘apontou pessoa chamada
Oliveira como contato na Transnacional.

“A Polícia Federal diligenciou junto aos registros de entradas e saídas de visitantes com destino à SOTAQUE nos meses de outubro e novembro de 2014. Foi organizada a planilha (fl. 411) e nela constam três entradas de GERALDO PEREIRA OLIVEIRA, da empresa “TRANS”: dias 23/10/2014, 31/10/2014 e 07/10/2014”.

A fotografia de Geraldo P. Oliveira, ao se cadastrar no prédio, está nos autos.

Ele confirmou que ‘trabalhava na Transnacional e fazia entrega e retirada de valores’.

“Com relação ao endereço da rua Gomes de Carvalho, 921, Vila Olímpia, São Paulo/SP, o declarante confirma que já compareceu a tal endereço mais de uma vez em 2014.

 

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