Garotinho e Rosinha são presos pela Polícia Federal  

Garotinho e Rosinha são presos pela Polícia Federal  

Ação mira crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais

Constança Rezende/RIO

22 Novembro 2017 | 10h12

Os ex-governadores do Rio, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, tiveram mandados de prisão expedidos, na manhã desta quarta-feira, 22. Garotinho já está sendo levado para a sede da Polícia Federal no Rio, na Zona Portuária. Rosinha está na cidade de Campos, onde será acionada. O pedido foi feito pelo Ministério Público Eleitoral, que apura a arrecadação de dinheiro ilícito para o financiamento da campanha dos dois.

A Polícia Federal cumpre nove mandados de prisão e 10 de busca e apreensão expedidos pelo Juízo Eleitoral de Campos dos Goytacazes/RJ. A ação mira crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.

Em nota, a PF informou que participam da operação aproximadamente 50 policiais federais nos municípios do Rio, Campos dos Goytacazes (RJ) e São Paulo.

Durante as investigações, a PF e o Ministério Público Estadual identificaram elementos que apontam que uma grande empresa do ramo de processamento de carnes firmou contrato fraudulento com uma empresa sediada em Macaé/RJ para prestação de serviços na área de informática. Suspeita-se que os serviços não eram efetivamente prestados e que o contrato, de aproximadamente R$ 3 milhões, serviria apenas para o repasse irregular de valores para utilização nas campanhas eleitorais.

Outros empresários também informaram à PF que o ex governador cobrava propina nas licitações da prefeitura de Campos, exigindo o pagamento para que os contratos fossem honrados pelo poder público daquele município. Um ex secretário municipal também foi preso. Após os procedimentos de praxe, os presos serão encaminhados ao sistema prisional do Estado onde permanecerão à disposição da Justiça.

A investigação é um desdobramento da “Operação Chequinho” , que apura fraude com fins eleitorais no programa Cheque Cidadão por Garotinho.

COM A PALAVRA, GAROTINHO E ROSINHA

Querem calar o Garotinho mais uma vez

O ex-governador Anthony Garotinho atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter.

O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República.

Garotinho afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e, conforme disse ontem no seu programa de rádio, foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani, durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho.

Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os presos da Lava Jato.

Cabe frisar que essa a operação à qual Garotinho e Rosinha respondem não tem relação alguma com a Lava Jato.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA DANIEL BIALSKI

O criminalista Daniel Bialski, defensor de Antônio Carlos Rodrigues, disse que o ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do PR, deverá se entregar nesta quinta-feira. Bialski disse que Antônio Carlos Rodrigues está viajando, por isso não foi localizado pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 22.

“O decreto de prisão é um absurdo. Como se decreta a prisão preventiva depois de tanto tempo do fato e se não há nada que realmente mostre que essa prisão é necessária?”, questiona Daniel Bialski, que nesta causa atua em parceria com Marcelo Bessa, advogado do partido presidido por Antônio Carlos Rodrigues.

“Você não tem qualquer elemento daqueles exigidos na lei para dizer que essa prisão dele e do genro (Fabiano) é realmente necessária para garantia da instrução penal, da segurança de testemunhas ou da ordem pública ou econômica”, enfatiza Bialski. “Os fatos são extremamente discutíveis, com base em uma delação.”

O advogado destaca que o ex-ministro dos Transportes do Governo Dilma (2012/2014) ‘sempre teve uma vida política e pessoal abolutamente impoluta, ocupou cargos importantes na política nacional’.

“A ordem de prisão soa, além de exacerbada, um tanto quanto exagerada.”

O criminalista informou que nesta quinta-feira, 23, deverá ingressar com habeas corpus. “Antônio Carlos Rodrigues está viajando, mas vai se apresentar, obviamente, porque nada tem a esconder e não pretende, de forma alguma, afrontar uma decisão judicial.”