Galloro é o nome com maior força para diretor da PF, diz presidente da associação dos delegados

Galloro é o nome com maior força para diretor da PF, diz presidente da associação dos delegados

Diretor executivo da Polícia Federal é apontado como o preferido do ministro Torquato Jardim e da própria classe para a sucessão no comando da corporação

Igor Gadelha, de Brasília

07 Setembro 2017 | 19h11

Rogério Galloro. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, vê com bons olhos a possível indicação do diretor-executivo da PF, Rogério Galloro, para diretor-geral da instituição no lugar do atual titular do cargo, Leandro Daiello. Ao Broadcast Político, Sobral afirmou que Galloro é hoje o nome que se apresenta com maior força, por ter carreira dentro da corporação e por ter o aval de Daiello.

“O nome do doutor Galloro é hoje o que se apresenta com maior força, mesmo porque é um nome que deve contar com o ok, o aval do atual diretor-geral. Então, é um nome forte que se apresenta e, se confirmando essa mudança a gente espera que consiga retomar o processo de fortalecimento da Polícia Federal e que a não interferência política nas nossas ações seja uma regra a ser observada”, afirmou o presidente da ADPF.

Sobral lembrou que Galloro, como diretor-executivo, é hoje o número dois na hierarquia da PF, sendo o substituto legal de Daiello. O dirigente da associação ressaltou que Galloro tem uma carreira na instituição, da qual também foi diretor de logísitica e adido da embaixada do Brasil em Whashington, capital dos Estados Unidos. “Ele integra a diretoria do doutor Daiello há algum tempo. Ou seja, é um nome que tem carreira dentro da instituição”, disse.

O presidente da ADPF ponderou que a categoria gostaria de que o substituto do atual diretor-geral da PF fosse escolhido por meio de uma lista tríplice indicada pela associação, como acontece na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Defensoria Pública da União. Ele reconheceu, porém, que não há previsão constitucional para isso acontecer, nem o governo fará isso de espontânea vontade. “É uma questão cultural que ainda vai ao longo do tempo”, declarou.

Sobral disse ainda que a substituição de Daiello não o surpreende. De acordo com ele, desde o início da gestão do atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, ficou claro que o governo tinha a pretensão de substituir o atual diretor-geral da PF. “O diretor estava tentando constituir um nome que contasse com seu aval. Então, acho que esses meses de gestão do ministro Torquato foi um período em que o diretor-geral aproveitou para tentar construir o nome do seu sucessor”, afirmou.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal de São Paulo, Tânia Prado, afirmou que Galloro possui um “ótimo histórico” na PF, mas é preciso saber o que ele pensa sobre as dificuldades que, segundo ele, a corporação passa. “Seria importante ver o posicionamento dele sobre o fortalecimento da Polícia Judiciária e como faria para otimizar o trabalho dos que estão na ponta lidando com a criminalidade organizada.”, disse.

Tania se disse preocupada com o encolhimento do efetivo da PF, sem abertura de concursos. “Sem a base da pirâmide da PF não há como atender à demanda de trabalho”, disse, em referência à Operação Lava Jato. Para ela, o melhor caminho seria escolher o substituto de Daiello por lista tríplice. “A lista tríplice tem o mérito de deixar claro no seu processo de formação o que pensa cada candidato e o que ele propõe.”, afirmou.

Em entrevistas nesta quinta-feira, 7, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, admitiu que deve substituir Daiello.

Segundo ele, há hoje três nomes para substituir o diretor-geral da PF. “São três nomes, não posso divulgar. Um deles obviamente é o delegado Galloro, que é o diretor executivo, tem viajado bastante comigo, que tem ajudado muito na concepção desse plano. Ele e Daiello são os dois mais próximos e mais importantes com os quais eu trabalho na Polícia Federal”, afirmou o ministro.