Funaro revela propina de 5 milhões de francos suíços de ‘rei do ônibus’ para Cunha e Picciani

Funaro revela propina de 5 milhões de francos suíços de ‘rei do ônibus’ para Cunha e Picciani

Em sua delação premiada, à qual o Estadão teve acesso, corretor aponta repasses ilícitos do empresário Jacob Barata para o ex-presidente da Câmara e para o deputado presidente da Assembleia Legislativa do Rio

Fabio Serapião e Fábio Fabrini/ BRASÍLIA

13 Setembro 2017 | 13h04

Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

O corretor Lucio Bolonha Funaro afirmou em seu acordo de colaboração premiada que operacionalizou o pagamento de 5 milhões de francos suíços em propina para o ex-deputado Eduardo Cunha e para o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB-RJ). O valores teriam sido repassados pelo empresário Jacob Barata, conhecido como o ‘Rei do Ônibus’, em uma conta na Suíça operada por Funaro.

Jorge Picciani é pai do ministro dos Esportes do governo de Michel Temer. Jacob Barata chegou a ser preso em um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, mas foi solto após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder dois habeas corpus em 24 horas.

“Em 2014, o colaborador recebeu, a pedido de Eduardo Cunha, uma transferência, em sua conta no Banco Audi, no valor de cinco milhões de francos suíços. Que segundo Eduardo Cunha esses valores eram referentes a um pagamento de valores não declarados feito por Jacob Barata. Que esses valores seriam divididos entre Eduardo Cunha e Jorge Picciani, para serem usados na campanha de 2014”, diz o anexo sobre o tema entregue por Funaro à Procuradoria-geral da República.


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Funaro narrou aos investigadores que não conhece Jacob Barata, mas que como Picciani não tinha conta no exterior, a pedido de Cunha, recebeu os valores em sua conta na Suíça em noma de uma offshore chamada Tuindorp Enterprises. Os valores recebidos no exterior foram transformados em reais e, segundo Funaro, disponibilizados no Brasil. A operacionalização dos valores em espécie teria sido feita por um doleiro de nome Tony.

Ainda segundo Funaro, a parte do dinheiro destinada à Picciani teria sido retirada em seu escritório, em São Paulo, por uma pessoa chamada Milton. O delator explica que foi avisado da retirada do dinheiro pelo ex-deputado Cunha por meio de uma mensagem enviada pelo aplicativo Wickr. Como prova de corroboração, Funaro entregou à PGR os extratos de sua conta no Banco Audi, na Suíça, os documentos da offshore Tuindorp Enterprises e os registros de contatos do aplicativo Wickr.

COM A PALAVRA, PICCIANI

Em nota, o deputado Jorge Picciani afirmou não conhece Funaro. “Como infelizmente a delação está em segredo de Justiça, não tive acesso a ela. Mas se de fato ele disse o que o jornal relata, esse senhor mente”, afirmou por meio de nota. A nota diz ainda que o deputado nunca recebeu nada de Funaro e que não conhece as pessoas de nome Tony e Milton. “A vontade de me envolverem não pode ser maior que a verdade”, conclui a nota.

COM A PALAVRA, JACOB BARATA

A defesa de Jacob Barata Filho repudia os boatos sobre depoimentos cuja existência ou eventual teor é desconhecido da defesa. Além disso, reitera que é falsa e caluniosa a história alegadamente narrada pelo delator.

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