Funaro disse que entregou ‘malas de dinheiro’ a Geddel

Funaro disse que entregou ‘malas de dinheiro’ a Geddel

Doleiro preso na Papuda afirma em depoimento ao Ministério Público Federal que 'fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados' para fazer as entregas ao ex-ministro do governo Temer

Fabio Serapião e Luiz Vassallo

13 Julho 2017 | 18h37

Foto: Reprodução

O doleiro Lúcio Funaro afirmou, em depoimento à Procuradoria da República em Brasília, ter entregue ‘malas ou sacolas de dinheiro’ ao ex-ministro do governo Temer, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) – liberado para regime domiciliar nesta quinta-feira, 13, pelo desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1). As declarações do doleiro constam de pedido do Ministério Público Federal para que ele seja preso novamente.

 

Documento

Após a decisão da Corte de mandar para prisão domiciliar o peemedebista aliado de Temer, a Procuradoria da República no Distrito Federal entrou com novo pedido para que ele volte a ser encarcerado.

Para os procuradores Anselmo Lopes e Sara Moreira Leite novos elementos colhidos na investigação mostram que Geddel cometeu os crimes de exploração de prestígio e tentou embaraçar as investigações.

No pedido do Ministério Público Federal, consta trecho de depoimento em que o doleiro afirma. “Fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima; que essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador/BA, diretamente nas mãos de Geddel; (…).”

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“Que, realmente, em duas viagens que fez, uma para Trancoso/BA e outra para Barra de São Miguel/BA, o declarante fez paradas rápidas em Salvador/BA, para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima (…).”

“Assim, com os novos depoimentos, permite-se concluir que Geddel Vieira Lima e a organização criminosa da qual faz parte têm interesse explícito e evidente no silêncio de Lúcio Bolonha Funaro, silêncio esse que, caso mantido, dificultaria a responsabilização criminal de Geddel e seu grupo”, afirmam os procuradores da República Anselmo Lopes e Sara Moreira Leite.

Geddel foi preso pela primeira vez no dia 3 de julho. A detenção do ex-ministro foi motivada por suposto embaraço à Justiça relatado pelo doleiro Lúcio Funaro, preso desde julho de 2016, que disse receber com estranheza ligações do peemedebista à sua mulher, Raquel Pitta.

Para os investigadores, Geddel teria o objetivo de evitar ou pressionar o doleiro a não fazer delação premiada.

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