Funaro depôs no Supremo

Funaro depôs no Supremo

Corretor financeiro, que fechou delação premiada, foi ouvido nesta segunda-feira, 4, em uma das últimas etapas para homologação do acordo.

Breno Pires e Rafael Moraes Moura

04 Setembro 2017 | 21h56

Lucio Funaro. Foto: Dida Sampaio/AE – 2006

BRASÍLIA – O corretor financeiro Lucio Funaro foi ouvido pelo Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira, 4, em Brasília, em uma das últimas etapas necessárias para a homologação (validação) do acordo de delação premiada que assinou com a Procuradoria-Geral da República (PGR), em que descreve a sua própria atuação como operador financeiro do PMDB da Câmara dos Deputados.

A audiência com Funaro tem por objetivo verificar se os depoimentos e anexos haviam sido prestados de maneira espontânea e se ele está de acordo com as penas acertadas. Após esta etapa, cabe ao ministro Edson Fachin, relator dos inquéritos relacionados à Lava Jato e ao inquérito aberto contra o presidente Michel Temer com base na delação da JBS, decidir sobre a homologação do acordo.

A Procuradoria-Geral da República aguarda a homologação para poder utilizar na denúncia que prepara contra o presidente da República, Michel Temer, parte dos conteúdos apresentados por Funaro. Após ter a denúncia por corrupção passiva contra si barrada na Câmara dos Deputados, o presidente ainda é investigado sob supostos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

Preso desde 1.º de julho de 2016, alvo da Operação Sépsis, corretor é aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Entre outros integrantes do grupo do PMDB da Câmara ao qual o delator faz referência em seu acordo de colaboração estão os atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além do próprio presidente Michel Temer.

JBS. O depoimento foi tomado no mesmo dia em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelou ter encontrado indícios de uma possível omissão de informação de crime por parte de três delatores da empresa JBS, e avisou ao gabinete do ministro Edson Fachin a abertura de um processo administrativo para analisar a possibilidade de revisão do acordo destes três delatores, Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva.

Segundo uma fonte que acompanha as investigações, a delação do operador Lúcio Funaro não será afetada pelas suspeitas lançadas em torno da colaboração premiada de executivos do grupo J&F, já que “cada acordo é um acordo”.

 

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