Funaro cita entrega de R$ 500 mil para campanha de Skaf a pedido de Temer

Funaro cita entrega de R$ 500 mil para campanha de Skaf a pedido de Temer

Segundo o delator, o repasse foi solicitado pelo ex-deputado Eduardo Cunha, 'para atender' o presidente

Fabio Serapião e Fábio Fabrini

13 Setembro 2017 | 16h41

Paulo Skaf. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O corretor Lúcio Bolonha Funaro narra em seu acordo de colaboração premiada a entrega de R$ 500 mil para o marqueteiro Duda Mendonça. O repasse estaria relacionado á campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo e teria sido realizado em um escritório na avenida 9 de Julho. Segundo Funaro, a entrega foi solicitada pelo ex-deputado Eduardo Cunha e era para “atender o presidente Temer”.

A informação consta nos anexos 8 e 9 da delação de Funaro. O primeiro aborda o tema “Michel Temer, intermediação de pagamentos de propinas para interpostos do presidente” e o segundo fala sobre os “operadores de Michel Temer.”

“Ainda houve uma entrega de R$ 500 mil, a pedido de Cunha para a campanha do Paulo Skaf ao governo de São Paulo, em um escritório na Avenida 9 de Julho em São Paulo, para Duda Mendonça para atender o presidente Temer”, diz o anexo 8 ao qual o Estado teve acesso. Skaf é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).


No anexo de número 9, por sua vez, o delator explica que Cunha foi ao seu escritório e lhe informou que Temer pediu que Funaro entregasse os valores em um escritório ligado a Duda Mendonça. “Tais valores foram debitados da conta que o colaborador mantinha com Cunha, o qual tinha sua própria compensação interna com Michel Temer”, diz o anexo 9.

A delação de Funaro foi homologada pelo ministro Edson Fachin na última terça-feira, 5. O corretor está detido no Complexo Penitenciário da Papuda desde o dia 1 de julho de 2016, quando foi alvo da operação Sépsis, que investiga irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS).

Skaf foi o candidato do PMDB na eleição ao governo de São Paulo contra o tucano Gerald Alckmin. O peemedebista teve 21,5% dos votos e Alckmin foi reeleito no primeiro turno.

O advogado Juliano Breda, responsável pela defesa de Duda Mendonça, disse que o caso está sob sigilo e por isso não irá se manifestar. Délio Lins e Silva Júnior, advogado de Cunha, afirmou que não comenta a delação de Funaro até o sigilo ser levantado.

Atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e candidato ao Governo de São Paulo em 2014 pelo PMDB, Paulo Skaf emitiu nota em resposta a acusações do delator Lúcio Funaro, doleiro do PMDB, de que a campanha de Skaf teria recebido repasse de R$ 500 mil em dinheiro vivo. O montante teria sido entregue em um escritório ligado ao responsável pela campanha, o publicitário Duda Mendonça.

“Todas as doações recebidas pela campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo”, diz a nota, que ainda afirma que Paulo Skaf “nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas”.

 

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