Funaro aponta Geddel, Cunha e Yunes como operadores de Temer

Funaro aponta Geddel, Cunha e Yunes como operadores de Temer

Corretor, que confessou ter sido o ‘grande arrecadador de propina do PMDB’, revela que o presidente tinha um interposto para cada área de atuação em supostas 'condutas ilícitas'

Fábio Serapião e Luiz Vassallo

13 Setembro 2017 | 15h23

Foto: Reprodução

O corretor Lúcio Funaro confessou, em delação premiada, ser o ‘grande arrecadador de propina do PMDB’ e alegou ter conhecimento de que Michel Temer tem ‘operadores em diversas áreas’. Nos anexos de sua colaboração, já homologada pelo Supremo, ele aponta o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-assessor do peemedebista, José Yunes como os tais operadores do presidente.

A delação de Lúcio Funaro corrobora com relatório da Polícia Federal que concluiu pela existência de um ‘quadrilhão do PMDB’. A corporação coloca o presidente em papel central em supostos esquemas de corrupção do partido no âmbito da administração pública. No documento, a PF atribui vantagens indevidas de R$ 31,5 milhões a Temer aponta Geddel (PMDB-BA), Yunes Cunha (PMDB-RJ) como longa manus das negociatas.

Funaro relata que ‘observou com o tempo que em cada área de atuação Michel Temer tinha um operador especifico para minimizar o risco de exposição de suas condutas ilícitas’.


O delator envolve Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em suposta arrecadação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012, da qual teria participado.

Segundo Funaro, R$ 20 milhões teriam sido desviados do FI-FGTS teriam abastecido a candidatura do então peemedebista à Prefeitura de São Paulo, em 2012, a pedido do então vice-presidente Michel Temer.

Já Yunes e Geddel estariam envolvidos em remessa de valores de propinas da Odebrecht. Funaro confessou ter operacionalizado todos estes repasses.

Funaro ainda diz que não conhecia o homem da mala dos R$ 500 mil, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor de Temer, ‘mas que esse era o operador’ do presidente, ‘junto ao Grupo JBS, depois que Geddel deixou de ser ministro’. Preso na Cui Bono, o ex-ministro seria ‘forte arrecadador de doações e propinas’ ao lado de Funaro, como admite o delator.

Estado procurou o Palácio do Planalto, que ainda não se manifestou. A defesa de Geddel disse que não se manifestaria, pois não teve acesso aos anexos.

COM A PALAVRA, JOSÉ YUNES

Lúcio Funaro, apresentou várias versões sobre esse fato e mais uma vez faltou com a verdade. José Yunes, advogado com mais de 50 anos de militância profissional e com uma reputação  ilibada, tão logo tomou conhecimento dos fatos procurou a PGR e elucidou os acontecimentos. Lúcio Funaro jamais recebeu de José Yunes qualquer valor. Ele esteve no escritório de Yunes, entregou um envelope e deixou o local. É importante registrar, que José Yunes além de não conhecer Funaro, não tinha conhecimento do que continha o envelope. Essa é a verdade dos fatos.

José Luis Oliveira Lima

COM A PALAVRA, EDUARDO CUNHA

“Enquanto não for levantado o sigilo, a defesa de Eduardo Cunha não comentará os supostos termos de delação”.

Advogado Délio Lins e Silva Júnior