‘Fui pego de surpresa’, diz secretário demitido do governo Morando por organização criminosa

‘Fui pego de surpresa’, diz secretário demitido do governo Morando por organização criminosa

Mário Henrique de Abreu, alvo de investigação da Polícia e do Ministério Público por suspeita de envolvimento com grupo que vendia licenças ambientais, afastou-se do mandato de vereador de São Bernardo do Campo por 45 dias

Olga Bagatini, especial para o Estadão

01 Novembro 2017 | 16h17

Mario de Abreu. Foto: Reprodução/Facebook

Alvo de investigação do Ministério Público do Estado por suposto envolvimento com organização criminosa e afastado, por decisão judicial, do cargo de secretário de Gestão Ambiental do governo Orlando Morando (PSDB), em São Bernardo do Campo, Mário Henrique de Abreu declarou nesta quarta-feira, 1, que ‘foi pego de surpresa’ com a operação da Polícia Civil e do Ministério Público que fizeram buscas em seu gabinete na terça, 31.

Henrique Abreu, vereador em São Bernardo pelo PSDB, pediu licença do mandato por 45 dias.

As declarações do ex-secretário foram divulgadas no site do jornalista Leandro Amaral, de São Bernardo do Campo.

“Fui pego de surpresa”, disse Henrique Abreu. “Não esperava, não fazia ideia de que existe uma investigação. Então, me afastei do cargo de secretário, justamente por determinação judicial e, hoje, pedi licença do cargo de vereador para me dedicar à defesa e conseguir mesmo provar a minha inocência.”

Além de Henrique Abreu, o diretor de Licenciamento Ambiental Sergio de Sousa Lima, e chefe de seção, Tiago Alves Martinez, são alvo da investigação e também foram demitidos.

Nesta terça-feira, 31, a polícia e a Promotoria vasculharam endereços de Henrique Abreu e de outros investigados. Foram apreendidos 19 computadores, 8 celulares, diversos pendrives e documentos que serão examinados pelo Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público que investiga esse tipo de ilícito.

O ex-secretário do governo Morando declarou que seu afastamento do Executivo e da Câmara municipal o deixa ‘mais tranquilo’ porque não será acusado de utilizar-se do cargo para se defender.

“Como qualquer cidadão comum tenho certeza de que vou provar a minha inocência e tranquilidade.”

Ele disse que não teve acesso à denúncia da Promotoria. “O advogado (de defesa) está puxando lá. Como está em segredo de Justiça, está um pouco difícil. Mas ele (advogado) deu uma olhada, está tranquilo.”