Força-tarefa da Lava Jato aceita compartilhar provas com investigação sobre Metrô de SP

Ministério Público Federal do Paraná encaminhou parecer favorável ao compartilhamento com o MP de São Paulo de documentos envolvendo a estatal paulista e o doleiro Youssef

Redação

04 Fevereiro 2015 | 14h19

Por Mateus Coutinho

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Obras da Linha 15 – Prata também estariam no raio de atuação do doleiro. Foto: Sérgio Castro/Estadão

A Procuradoria da República no Paraná se manifestou nesta quarta-feira, 4, pelo compartilhamento com o Ministério Público de São Paulo de provas que envolvam a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) no esquema de desvio e lavagem de dinheiro liderado pelo doleiro Alberto Youssef.

O parecer foi encaminhado à Justiça Federal do Paraná em resposta à solicitação do MP paulista que abriu inquérito para apurar as suspeitas de desvios nas obras da Linha 15 – Prata do Monotrilho. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público busca ter acesso a todos os documentos da Lava Jato que envolvam a obra na capital paulista, incluindo a planilha apreendida com Youssef pela força tarefa da operação contendo informações sobre cerca de 750 contratos de obras públicas que estariam na mira do doleiro.

Cabe ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, autorizar o compartilhamento de provas com o Ministério Público de São Paulo.

O inquérito foi aberto no final de 2014 e visa apurar “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as Estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho do Monotrilho pelos representados”, assinala a Promotoria.

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Entre as 750 obras na planilha de Youssef, consta na página 14 a “Obra Vila Prudente”, tendo como “cliente” a Construtora OAS, como “contato” o engenheiro Vagner Mendonça e como “cliente final” o Metrô. Aparece na planilha ainda uma proposta enviada em “7/4/2011?, no valor “RS 7.901.280,00″. A estatal paulista nega irregularidades na obra do Monotrilho.

Estrutura criminosa. O valor global dos contratos que aparecem na planilha e, segundo as investigações, teriam sido intermediados por Youssef, chega a R$ 11 bilhões. “Os valores abrangem uma ampla gama de grandes empreiteiras e períodos, onde se infere que o esquema criminoso vai muito além das obras contratadas pela Petrobrás”, afirma a Polícia Federal no relatório da Operação Juízo Final – sétima fase da Lava Jato -, quando pediu a prisão do núcleo empresarial do esquema de corrupção e propina na estatal petrolífera, no dia 14.

“O esquema é muito maior do que a mera Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, mas abrange sim uma estrutura criminosa que assola o País de Norte a Sul, até os dias atuais”, afirma a Lava Jato.

COM A PALAVRA, O METRÔ:

Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano de São Paulo informou que a obra da Linha 15- Prata foi licitada de maneira regular e lamentou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.” Abaixo, a íntegra da nota:

“O Metrô de São Paulo informa que o projeto da Linha 15, bem como todas as obras executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei 8.666, com ?ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

O alegado autor da planilha mencionada pela reportagem fez acordo de delação premiada no âmbito da investigação da operação Lava-Jato. É lamentável, na melhor das hipóteses, a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.”
COM A PALAVRA, A BOMBARDIER:

“A Bombardier Transportation nunca manteve qualquer relacionamento com o Sr. Alberto Yousseff e tampouco realizou pagamentos a quaisquer empresas controladas por ele. A Bombardier opera segundo os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente.”

Procuradas, a Queiroz Galvão afirmou que não iria comentar o caso e a Construtora OAS não retornou o e-mail da reportagem.