Foragidos

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Três dias depois de terem prisão preventiva decretada pela juíza Débora Faitarone, da 1ª Vara do Juri de São Paulo, continuam desaparecidos 'Maninho do PT e seu filho Leandro, acusados de tentativa de homicídio doloso contra o empresário Carlos Alberto Bettoni em frente o Instituto lula na noite de 5 de abril; defesa aposta em recurso para tentar reverter ordem de custódia preventiva

Luiz Vassallo

14 Maio 2018 | 05h30

EFE/Sebastião Moreira/ATENCIÓN EDITORES: CONTENIDO GRÁFICO EXPLÍCITO

Passados três dias desde o decreto de prisão preventiva, o ex-vereador Manoel Eduardo Marinho, o ‘Maninho do PT’, e seu filho, Leandro Eduardo Marinho, acusados de tentativa de homicídio duplamente qualificado contra o empresário Carlos Alberto Bettoni, no dia 5 de abril, em frente à sede do Instituto Lula, em São Paulo, continuam foragidos.

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Nesta sexta-feira, 11, a juíza Débora Faitarone, da 1ª Vara do Juri de São Paulo, decretou o encarceramento de ambos por tempo indeterminado. Eles ainda não se apresentaram e seus advogados apostam em recurso para tentar reverter a ordem de prisão.

A magistrada justifica a prisão ‘para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal’. Na decisão ela também recebeu a denúncia contra Manoel e Leandro. Ela destaca que ‘a vítima permaneceu dias na UTI’.

“O estado de saúde dela ainda é gravíssimo, não obstante já tenha deixado o hospital. O laudo pericial juntado aos autos acusa traumatismo craniano (ferimento corto contuso na região da cabeça com afundamento parietal posterior a esquerda. Hemorragia em lobo frontal e temporal direitos e traumatismo com fraturas na porção óssea do septo nasal)”, anotou.

Segundo a magistrada, Maninho e seu filho ‘contaram com a impunidade, que não veio e não virá’. “Eles não podem permanecer em liberdade após a prática de um crime doloso contra a vida, praticado de maneira tão covarde”.

“As imagens demonstraram que a vítima, por diversas vezes, pediu para que os réus mantivessem a calma. Ela ergueu o braço, com a palma da mão aberta e implorou para que eles cessassem as agressões. Ela tentou fugir dos réus, mas infelizmente não conseguiu”, afirmou.

No despacho, a juíza ainda avalia que a ‘liberdade dos acusados geraria, na sociedade, uma enorme sensação de impunidade e a impunidade é um convite ao crime’.

“O Brasil é o país com o maior número de homicídios do mundo e isso exige responsabilidade social por parte do Poder Judiciário”, escreveu.

A juíza afirma que, após empurrar o empresário contra o caminhão, ‘mesmo com a vítima caída, com uma poça de sangue que escorria pela sua cabeça em via pública (ela parecia estar convulsionando), os réus afastaram-se do local, demonstrando frieza e total desprezo pela vida humana’.

“A vítima foi socorrida por populares, que gritaram por uma ambulância. Os gritos dos populares são de desespero. As imagens demonstraram, de maneira clara, toda a cena”, narra.

Denúncia. Nesta quinta-feira, 10, o promotor Luiz Eduardo Levit Zilberman denunciou o ex-vereador e seu filho por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Segundo o promotor, o crime foi cometido por motivo torpe ‘decorrente de intolerância diante da suposição de que a vítima estivesse no local a protestar contra o ex-presidente da República e seus apoiadores políticos’ e com emprego de meio cruel.

Zilberman pediu o arquivamento do caso em relação ao sindicalista Paulo Cayres, conhecido como ‘Paulão’, que chegou a ser indiciado.