Fachin solta braço direito de Geddel e Lúcio

Fachin solta braço direito de Geddel e Lúcio

Job Ribeiro Brandão, preso no dia 16 de outubro, estava em regime domiciliar; ele pagou fiança de 10 salários mínimos e tem feito tratativas por delação premiada

Fabio Serapião e Beatriz Bulla/BRASÍLIA

28 Novembro 2017 | 17h14

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão domiciliar do ex-assessor do deputado Lúcio  Vieira Lima (PMDB-BA),Job Brandão.  Homem de confiança da família Vieira Lima, Brandão foi preso no dia 16 de outubro, mesma data em que o gabinete de Lúcio foi alvo de busca e apreensão. Após pagamento de fiança de dez salários mínimos, Job recebeu uma tornozeleira e estava em prisão domiciliar.

Na última semana, a Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, havia se posicionado favoravelmente a revogação da prisão do ex-assessor. O ministro Fachin concordou com os argumentos de Dodge e da defesa de Brandão para soltar Brandão.

“No curso das apurações, o ora peticionante, além de ter depositado a fiança no patamar reajustado, admitiu o seu envolvimento nos fatos aqui versados e colaborou espontaneamente com a atividade persecutória, descortinando possíveis linhas investigativas”, apontou Fachin em seu despacho.

O Estado revelou ontem que o advogado Marcelo Ferreira, que representa Job, entregou ao STF cópias dos extratos de sua conta bancária que, segundo ele, confirmam a devolução de cerca de 80% do seu salário para a família de Geddel. Na petição, o ex-homem de confiança da família Vieira Lima anexou extratos da movimentação financeira de sua conta no período entre janeiro de 2012 e novembro de 2017.

Antes, na terça-feira, 14, Brandão prestou depoimento à Polícia Federal, em Salvador, e confirmou ter retirado valores na Odebrecht a pedido de Geddel e disse ter destruído documentos a pedido do ex-ministro. O ex-assessor afirmou também que os valores em espécie angariados pelo ex-ministro eram guardados no closet do quarto de sua mãe, Marluce Quadros Vieira Lima.

Em entrevista ao Estado, o advogado de Job afirmou que seu cliente era contratado para a Câmara dos Deputados, mas que “efetivamente trabalhava na casa da mãe dos parlamentares, exercendo atividades essencialmente domésticas,  totalmente estranhas ao interesse público”.

Histórico. Job Brandão virou alvo da Operação Tesouro Perdido no momento em que a PF identificou suas digitais em parte dos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador, a 1,2 km da residência de Geddel Vieira Lima. O ex-ministro e o deputado Lúcio Vieira Lima foram indiciadas pela PF nesta terça-feira, 28, pelo crime de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARCELO FERREIRA, QUE DEFENDE JOB

“Em relação ao relatório da PF, pode dizer que a defesa de Job não concorda com a conclusão do relatório, porque foi contraditório quanto aos fatos apurados, às manifestações da PGR e às decisões do relator (ministro Fachin) relacionados ao Job, inclusive com a decisão de hoje que determinou a revogação de sua prisão domiciliar”.