Fachin prorroga por 60 dias investigação de Renan, Jucá, Maia e Eunício

Fachin prorroga por 60 dias investigação de Renan, Jucá, Maia e Eunício

Inquérito apura suspeitas de que executivos da Odebrecht negociaram com os parlamentares vantagens indevidas em troca da elaboração, aprovação e promulgação de três medidas provisórias

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo / BRASÍLIA

16 Maio 2018 | 22h33

Romero Jucá e Renan Calheiros. Foto: André Dusek/Estadão

BRASÍLIA – O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e decidiu prorrogar por 60 dias as investigações no âmbito de um inquérito que investiga os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Romero Jucá (MDB-RR) e Eunício Oliveira (MDB-CE) e os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Lúcio Vieira Lima (MDB-BA). O processo foi instaurado com base na delação da Odebrecht.

O inquérito apura suspeitas de que executivos da Odebrecht negociaram com os parlamentares vantagens indevidas em troca da elaboração, aprovação e promulgação de três medidas provisórias.

Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou em manifestação encaminhada ao Supremo que Fachin autorizou à Polícia Federal acesso amplo ao sistema de comunicação (“Drousys”) e de contabilidade paralela (“MyWebDay”) da empreiteira. No dia 14 de abril, o Estado revelou que Fachin atendeu ao pedido da PF, considerado vital por delegados da corporação para o desfecho das investigações.

“Tal medida possibilitará produção de informações policiais e relatórios sobre os fatos investigados, podendo-se agregar novos elementos”, observou Raquel Dodge, em despacho assinado na última segunda-feira (7).

A procuradora-geral ressaltou que ainda há diligências pendentes, como a realização do depoimento do executivo Carlos Parente, da Braskem.

Levantamento feito pelo Estado nos autos dos 80 inquéritos que tramitam atualmente no STF derivados da “lista de Fachin” aponta que, em pelo menos 32 casos, há manifestações formais de ao menos sete delegados que declaram ser indispensável uma perícia técnica nos sistemas da Odebrecht para a conclusão das investigações.

Procurada pela reportagem, a Odebrecht reiterou que “está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua”.

A empreiteira informou que “assinou acordo de leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala”, “implantou um sistema para prevenir, detectar e punir desvios ou crimes” e “adotou modelo de gestão que valoriza não só a produtividade e a eficiência, mas também a ética, a integridade e a transparência”. (Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo)