Fachin manda ao Pleno do Supremo pedido de Temer contra nova flechada de Janot

Fachin manda ao Pleno do Supremo pedido de Temer contra nova flechada de Janot

Ministro relator da Lava Jato e do caso JBS na Corte máxima submete ao colegiado recurso da defesa do presidente para 'sustação de qualquer nova medida' do procurador-geral da República contra o peemedebista

Beatriz Bulla e Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo

08 Setembro 2017 | 20h01

Edson Fachin. Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

O ministro relator da Operação Lava jato, Luiz Edson Fachin, remeteu, nesta sexta-feira, 8, o pedido de ‘sustação de qualquer nova medida’ de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer, movido pela defesa do peemedebista, ao Pleno do Supremo Tribunal Federal.

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“Nada obstante, é possível, sem adiantar qualquer apreciação sobre o mérito, colher do pleito defensivo questão preliminar inédita e com repercussão geral relevante, apta a indicar seja conveniente e oportuno definição colegiada, como “questão de ordem” ao conhecimento e à discussão do Pleno”, anotou Fachin.

Na petição, os advogados do peemedebista insistem na suspeição do procurador-geral da República. Voltam-se contra Janot que, recentemente, questionado sobre seus últimos dias de mandato disse ‘enquanto houver bambu, lá vai flecha’.

Eles falam em ‘parcialidade’ de Janot e em ‘descrédito’ dos delatores da JBS que mergulharam o governo Temer em sua pior crise política.

Janot está na iminência de levar ao Supremo uma segunda denúncia formal contra Temer, agora por suposta obstrução de Justiça. A primeira acusação, por corrupção passiva, foi barrada na Câmara.

Os advogados de Temer ganharam fôlego com o áudio de quatro horas que provocou um terremoto no caso JBS. A gravação de um longo bate papo de Joesley Batista, principal acionista do grupo, com o executivo Ricardo Saud, mostra articulações que poderiam incluir até uma investida a ministros do Supremo Tribunal Federal.

A defesa do presidente alega que, nessa conversa, Saud disse a Joesley que Janot ‘iria ou irá trabalhar’ no mesmo escritório onde foi atuar o ex-procurador Marcelo Miller. Hoje advogado, Miller trabalhou por três anos no gabinete do procurador-geral e conduziu acordo de leniência da J&F, controladora da JBS.

“Faz-se necessário a sustação de qualquer nova medida do chefe do Ministério Público Federal em desfavor de Michel Temer, seja porque parte dos fatos ora noticiados denota a completa invalidade da prova produzida no bojo das delações, seja porque foi ratificada a arguição de suspeição do procurador-geral da República para atuar à frente dos casos que envolvam o chefe da Nação”, destacam os criminalistas Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Jorge Urbani Salomão, que representam Temer.

Em outro trecho da petição, a defesa assinala. “O ex-procurador da República Marcelo Miller, que era membro da força-tarefa da Lava Jato e braço direito do procurador-geral da República, deixou o Ministério Público Federal para trabalhar justamente em escritório de advocacia contratado para conduzir o acordo leniência da J&F, mesma banca em que o dr. Rodrigo Janot iria ou irá trabalhar, conforme relatado por Ricardo Saud em uma das gravações.”