Fachin dá 3 dias para PGR esclarecer quem deve ser investigado em inquérito sobre repasses da J&F

Fachin dá 3 dias para PGR esclarecer quem deve ser investigado em inquérito sobre repasses da J&F

Ministro do Supremo pede a Raquel Dodge que indique quem 'deve efetivamente figurar como investigado'

Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

17 Maio 2018 | 21h22

Edson Fachin. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu três dias para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, esclarecer quem “deve efetivamente figurar como investigado” no inquérito que apura um esquema de pagamentos milionários do grupo J&F a parlamentares do MDB.

As suspeitas foram levantadas nas delações premiadas do executivo Ricardo Saud e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

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Segundo Fachin, a PGR não individualizou o rol de investigados, “sugerindo que há indícios suficientes” para justificar a abertura de investigação no âmbito desta Corte em relação a certos parlamentares e demais envolvidos.

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“Todavia, os nomes referidos pelos colaboradores não convergem aos mesmos parlamentares, tampouco há identidade entre àqueles referidos na tabela (elaborada por Raquel Dodge ao pedir a abertura de investigação) com as pessoas cuja oitiva se pleiteia na fase investigativa”, apontou o ministro.

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“Assim sendo, determino o retorno dos autos à Procuradoria-Geral da República para que se manifeste, no prazo de 3 (três) dias, sobre quem deve efetivamente figurar como investigado nestes autos”, determinou o ministro, em despacho assinado nesta quinta-feira (17).

Em sua delação, Saud disse ter havido pagamento da ordem de R$ 46 milhões a senadores do MDB, a pedido do PT. Segundo o executivo, apesar de diversas doações terem sido oficiais, tratava-se na verdade de “vantagem indevida”, já que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 para garantir a aliança entre os dois partidos.

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O esquema teria beneficiado os senadores do MDB Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE), Renan Calheiros (AL) e Valdir Raupp (RO), além do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo.

Machado, por sua vez, declarou ouvir em reuniões ocorridas na casa de Renan, “que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões”.

Procurada pela reportagem, a PGR informou que vai se manifestar nos autos.