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Executivo diz que ex-secretário da Educação de Alckmin ‘recebeu R$ 100 mil’ para não contratar cooperativa

Executivo diz que ex-secretário da Educação de Alckmin ‘recebeu R$ 100 mil’ para não contratar cooperativa

Herman Voorwald, que deixou Pasta em dezembro de 2015, teria protegido antiga fornecedora da Pasta, segundo presidente da Coaf, alvo da Operação Alba Branca; ex-secretário se diz 'indignado' e desafia que provem denúncia de que ganhou propina

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Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

30 Janeiro 2016 | 09h30

Herman Voorwald. Foto: Divulgação

Herman Voorwald. Foto: Divulgação

O executivo Cássio Chebabi, alvo da Operação Alba Branca – investigação sobre fraudes na merenda escolar – declarou à Polícia que o lobista Marcel Ferreira Júlio lhe contou que o ex-secretário da Educação do Estado Herman Jacobus Cornelis Voorwald ‘recebeu R$ 100 mil’ para não contratar a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) e manter negócio com uma antiga fornecedora da Pasta.

A Coaf é apontada como o carro chefe do esquema de venda superfaturada de produtos agrícolas e suco de laranja destinados à merenda. Pelo menos 22 administrações municipais e contratos da Secretaria da Educação do Estado estão sob investigação.

Chebabi diz que um vendedor da Coaf, César Bertholino, também lhe disse sobre a suposta propina ao ex-secretário.

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Herman Voorwald caiu do comando da Educação em dezembro, em meio a um polêmico projeto de reorganização das escolas que provocou a ira dos estudantes.

Ele voltou a dar aulas de na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, onde reside. Voorwald desafia seus acusadores a provarem que tenha recebido valores ilícitos.

Cássio Chebabi é presidente da Coaf. Ele depôs no dia 21, apenas quarenta e oito horas depois que a Alba Branca foi deflagrada pela Polícia civil e pelo Ministério Público em Bebedouro, região de Ribeirão Preto.

Marcel é filho do ex-deputado Leonel Júlio, do antigo MDB, cassado em 1976 pelo regime militar no ‘escândalo das calcinhas’ – o então presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo fizera uma compra alentada de peças de lingerie em viagem ao exterior, o que bastou para que a ditadura lhe tirasse os direitos políticos.

Segundo Alba Branca, Marcel agia com desenvoltura em gestões municipais e em autarquias. O lobista também mantinha contatos estreitos na Assembleia Legislativa, cujo presidente, o deputado Fernando Capez (PSDB), é citado como suposto beneficiário de propinas do esquema da merenda.

Capez nega taxativamente ligação com propinas. Ele supõe que integrantes da organização criminosa instalada na área das merendas usaram seu nome.

Em seu relato, ao mencionar o ex-secretário Herman Voorwald, da Educação, Chebabi faz menção ao presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo, Sebastião Misiara – outros investigados disseram que Misiara seria uma espécie de ‘intermediador’ da Coaf, abrindo espaço para a cooperativa em prefeituras e no Estado. Misiara nega exercer esse papel.

“No final de 2013, Sebastião Misiara intermediou junto à Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo a contratação da Coaf para fornecimento de suco de laranja no valor de R$ 8 milhões e, muito embora tenha sido feito empenho pelo Governo Federal naquele valor, justamente pela falta de acerto de propina o pagamento não foi realizado nem o produto fornecido”, disse Cássio Chebabi.
Segundo ele, a Coaf acabou arcando com um estoque superior a R$ 50 mil mensais do produto ‘que já haviam e estavam produzindo para tal finalidade’.

“Isso porque a empresa que fornecia anteriormente à Secretaria de Estado da Educação, ou seja há mais de 20 anos, chamada Citro Cardilli já tinha acerto com aquele ente público, de sorte que seus vendedores César (Bertholino) e o lobista Marcel disseram que a mesma pagou R$ 100 mil para o então secretário de Educação Herman não assinar o contrato com a Coaf e realizar novo procedimento para contratação desta empresa, o que de fato se deu”, acrescentou o executivo.

Segundo Chebabi, havia ‘comentários de que o pessoal daquela Pasta não tinha apreço por Sebastião Misiara, não o queriam nos negócios da Secretaria.”

COM A PALAVRA, O PROFESSOR HERMAN VOORWALD, EX-SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO GOVERNO ALCKMIN

“Não recebi nada de ninguém. Eu tenho quase quarenta anos de vida pública, nunca recebi absolutamente nada que não fosse fruto do meu trabalho. Nunca houve, não há e nunca haverá nenhum recurso que eu não tenha recebido de forma legítima em toda a minha vida. É um absurdo (a denúncia de que teria recebido R$ 100 mil), não tem a menor consistência a fala dessa pessoa (Cássio Chebabi). Não o conheço.”

“Existe na Secretaria uma Coordenadoria que cuida de merenda e de obras. Está tudo muito claro na minha vida pública. Desde a minha formatura tudo o que eu tenho é de trabalho honesto. Eu não acredito que o meu nome tenha sido usado por alguém da Secretaria. Eu não acredito. As pessoas na Secretaria me conhecem, conhecem a minha história. Algum investigado pode ter usado meu nome no sentido de criar uma confusão.”

“Não conheço a Citro Cardilli. O relacionamento na área da merenda é da Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares. Estou mesmo estarrecido, imagina alguém com uma postura política extremamente correta de repente se vendo envolvido (no escândalo das merendas). Essa informação não procede em hipótese alguma.”

“Todo o processo licitatório, tudo é comandado pela área técnica que, depois, leva o expediente para decisão do secretário da Educação. Estou muito revoltado com esse tipo de acusação à minha pessoa. Muito chateado. Uma vida inteira de dedicação ao interesse público. Após cinco anos na Secretaria, de 2011 a 2015, saio de cabeça erguida. Estou de volta à Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (Unesp). Sou professor de materiais de construção mecânica. Minha área de pesquisa.”

COM A PALAVRA, A CITRO CARDILLI Comércio Importação e Exportação Ltda

A direção da CitroCardilli rechaçou com veemência a citação à empresa nos autos da Operação Alba Branca. Um de seus diretores respondeu perguntas por e-mail.

1)A CitroCardili teve um único contrato com a Secretaria de Estado, pelo periodo de 1 ano, sendo de novembro de 2011 a novembro de 2012. O contrato foi no total de 6.212.160 unidades com o valor de R$ 0,75 a unidade.

2) Já ouvi falar na COAF, e conheço o sr Cássio

3) A denúncia é absurda e infundada, pois o sr Cássio relata que: ‘A empresa já era fornecedora há mais de 20 anos, quando na verdade teve apenas um único contrato por 1 ano.

4) A empresa CitroCardili não tem mais contrato com a Secretaria de Educação do Estado desde 2012.

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