Executivo diz que contatos com doleiro foram por investimentos pessoais

Executivo diz que contatos com doleiro foram por investimentos pessoais

Rogério Araújo, ligado à Odebrecht e apontado por ex-funcionários da Petrobrás como responsável por acertos de propina, foi interrrogado pelo juiz da Lava Jato e negou tudo

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

31 Outubro 2015 | 04h30

Rogério Araújo. Foto: Reprodução

Rogério Araújo. Foto: Reprodução

O ex-diretor da Odebrecht Rogério Santos Araújo, apontado por delatores da Operação Lava Jato como responsável pelos acertos de propinas com agentes da Petrobrás, afirmou em depoimento à Justiça Federal, nesta sexta-feira, 30, que seus contatos com o operador de prooinas Bernando Freiburghaus foram por causa de ‘investimentos pessoais’.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Freiburghaus – apontado como operador de propinas da Odebrecht – fugiu do País e está morando na Suíça.

“Bernardo é um consultor financeiro, que mora no Rio, competente. Ele representa vários fundos e eu investi em um dos fundos. E eu sempre trocava ideia com ele, eu não tinha ações com ele, mas com outra corretora, mas sempre conversava com ele e ele queria me atrair mais para investir em outros fundos que ele representava”, respondeu Araújo, ao ser questionado pelo juiz Sérgio Moro sobre sua relação com Freiburghaus. “Eu conhecia ele.”


Os investigadores identificaram mais de uma centena de telefonemas trocados entre Araújo e Freiburghaus. O ex-dirigente da Odebrecht disse reconhecer pelo menos 130 contatos telefônicos com o doleiro.”Eu sempre ligava, conversava sobre mercado e ele querendo me atrair para comprar outros fundos.”

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O executivo, seguindo orientação da defesa, decidiu não responder aos questionamentos da Ministério Público Federal. Preso desde 19 de junho, junto com o presidente da empreiteira, Marcelo Bahia Odebrecht, ele negou as acusações feitas pelo ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco e pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa – primeiro delator da Lava Jato – de que ele era o contato para tratar dos acertos.

“Isso é o maior absurdo. Eu acho o seguinte, como eu estava sempre lá, frequentava o doutor Paulo Roberto, Barusco, (Renato) Duque, Nestor (Cerveró) para buscar informações que a gente precisava. Mas é muito mais fácil ele atribuir a mim uma conversa nunca tida, porque eu nunca conversei essas coisas (de propina) com ele”, respondeu o ex-executivo ao ser questionado por Moro sobre os dois delatores – Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, que confessaram ter tratado com ele da corrupção.

CONFIRA TODOS OS DEPOIMENTOS DOS EXECUTIVOS DA ODEBRECHT NESTA SEXTA:

Segundo Rogério Araújo as afirmações de que tratou de contratos e valores na Petrobrás são infundadas. “Isso não faz o menor sentido. Não tenho a menor participação nessa formação de preços, discussão, negociação, isso tudo era feito na diretoria de contrato . Como eu poderia interferir nisso?”

Araújo confirmou que em determinada ocasião, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa chegou a falar com ele sobre doações partidárias. Costa, segundo a denuncia do Ministério Público Federal, foi mantido no cargo pelo PP, em consórcio com o PMDB. “Eu neguei com delicadeza.”