EXCLUSIVO: Relator da reforma política, Vicente Cândido era o ‘Palmas’ e recebeu propina por Itaquerão

EXCLUSIVO: Relator da reforma política, Vicente Cândido era o ‘Palmas’ e recebeu propina por Itaquerão

VEJA O INQUÉRITO contra o deputado federal do PT de São Paulo, que segundo três delatores da Odebrecht, recebeu R$ 50 mil na campanha de 2010 do 'setor de propinas' para ajudar em financiamento para obra de estádio do Corinthians

Breno Pires, de Brasília, e Ricardo Brandt

11 Abril 2017 | 16h22

Vicente Candido ( PT SP), citado em delação. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Vicente Candido ( PT SP), citado em delação. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Três delatores da Odebrecht afirmaram à Operação Lava Jato que pagaram R$ 50 mil de propinas para o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), relator da comissão especial da reforma política na Câmara, para obter apoio em financiamento da obra do estádio do Corinthians. O parlamentar é alvo de um inquérito aberto com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), após a mega delação do grupo Odebrecht.

“Consoante relato do Ministério Público, narra um dos colaboradores que, no ano de 2010, a pretexto de auxílio à campanha eleitoral para o cargo de deputado federal, Vicente Cândido da Silva solicitou e recebeu vantagem indevida, consistente em R$ 50 mil”, registra autorização do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, no STF, para abertura do inquérito 4448.

“Valor repassado pelo grupo Odebrecht que teria interesse no apoio do parlamentar na busca de solução para o financiamento do Estádio do Corinthians.”


O nome de Cândido e o episódio da obra do Itaquerão foram citados nas delações de Alexandrino de Salles Ramos de Alencar , Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa da Silva Júnior – dois deles, já presos e soltos pela Lava Jato, em Curitiba.

“Afirmou-se, ainda, que o beneficiário fora identificado no sistema ‘Drousys’ com o apelido de ‘Palmas’, sendo os fatos corroborados pelos demais colaboradores.”

O sistema Drousys era a rede de intranet segura usada pelos funcionários do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – chamado pela Lava Jato de “departamento da propina” – e pelos altos executivos do grupo. Por ele, eram feitos os pedidos de pagamentos de propinas e caixa 2 e também autorizados e ordenados os repasses.