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Ex-ministro diz que ‘uma ou duas vezes por mês’ viajava no jatinho de lobista

Dirceu afirma a juiz Sérgio Moro que 'não fez 113 viagens', mas admite 'dezenas' de voos em avião de delator

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Fausto Macedo e Ricardo Brandt

01 Fevereiro 2016 | 16h57

O ex-ministro José Dirceu admitiu ao juiz federal Sérgio Moro que viajava “uma ou duas vezes” por mês em jatinhos cedidos pelo empresário Júlio Gerin Camargo, delator da Operação Lava Jato que confessou ter pago propina para o petista.

“Eu fiz uma viagem por mês ou duas, eu assumo. E ele (Júlio Camargo) nunca me cobrou por essas viagens”, disse o ex-ministro, durante interrogatório a que foi submetido na sexta-feira, 29, em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

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Em uma planilha que entregou à Justiça Federal, Júlio Camargo relacionou 113 trechos de viagens de dois jatos entre 2010 e 2011, tendo como passageiro “Jdirceu”. Segundo o delator, as horas de voo foram abatidas de um débito de R$ 1 milhão de propina que ele tinha com o esquema ligado a Dirceu.

“Não foram 113. (Júlio Camargo) me emprestava o avião e fazia questão de emprestar o avião. Eu emprestei doutor, mas não 113 viagens. Eu já pago, vou até dizer assim, perdão da expressão, esse mico, mas se o senhor olhar, cada viagem é uma viagem por mês só. É que faz duas escalas, eu fiz seis viagens. Vem de Jundiaí, que é um problema da empresa, para me pegar em São Paulo, eu fiz mais uma viagem. Aí não é possível, eu fiz 113 viagens. Aí sai manchete no Jornal Nacional que eu fiz 113 viagens.”

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O juiz Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato em primeiro grau – insistiu. “Sr José Dirceu,

são mais de seis viagens, né?”.

O ex-ministro explicou que quando fala “seis viagens”, isso representa “uma” por causa das escalas.

“Mas foram dezenas”, insistiu o juiz da Lava Jato.

“Sim. Fazia uma ou duas por mês.”
“E ele (Júlio Camargo) não cobrava nada?”, perguntou Moro.

“Não senhor.”

O ex-minstro disse que Júlio Camargo lhe oferecia a aeronave. “Não era inusitado, muitos empresários ofereciam.”

Dirceu afirmou que o operador de propinas nunca pediu nada em troca. “Ele nunca me pediu nada, aliás ele declara isso. E eu nunca pedi nada para o doutor Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobrás) ou a outro diretor da Petrobrás, falar tipo ‘atenda o sr Júlio Camargo’.”

Compra de jato. O ex-ministro da Casa Civil negou ter tentado comprar parte de um dos jatos de Júlio Camargo e disse que a história de venda da aeronave “é inacreditável”.

“Uma hora eu comprei um terço, outra hora eu comprei metade, outra hora a Avanti comprou a outra metade, agora foi a Engevix que comprou”, disse Dirceu.

Segundo o ex-ministro, Júlio Camargo teria dito a ele que queria “comprar mais um ou dois aviões”. “Eu disse para ele ‘conversa com o Rui Aquino, não tenho mais nada a ver com isso’.”

Rui Aquino era um executivo do setor de aeronaves que gerenciava os jatos de Júlio Camargo. Segundo dois delatores da Lava Jato, Dirceu teria comprado indiretamente cota de um terço de um Citation, em 2011, pelo valor de R$ 1 milhão.

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