Ex-gerente diz que recebeu US$ 1 milhão em propina da Odebrecht

Pedro Barusco, delator da Lava Jato, apontou conta na Suíça onde foi feito depósito e cita nome de executivo de empreiteira como operador de valores por contratos de estaleiro

Redação

05 Fevereiro 2015 | 16h33

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco afirmou ter recebido US$ 1 milhão em propina da Construtora Norberto Odebrecht – novo foco da Lava Jato no cartel de empreiteiras que atuaria na Petrobrás – e identificou a conta da offshore Pexo Corporation, aberta em 2008 por ele na Suíça, onde o valor teria sido depositado. O delator afirmou aos investigadores da Lava Jato que conseguiu “identificar o recebimento de US$ 1 milhão depositados pela Odebrecht” nesta conta – uma das cerca de 20 que ele apresentou como prova das propinas em suas delações.

Segundo Barusco – homem de confiança do então diretor de Serviços Renato Duque -, o executivo da construtora Rogério dos Santos Araújo era um “operador” do pagamento de propinas para agentes públicos da Petrobrás em contratos de construção de sondas por estaleiros contratados pela Setebrasil. A Odebrecht é parte do consórcio formado com as construtoras OAS, UTC e Kawasaki, para construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), na Bahia, que foi contratada para entreguar 6 das 22 sondas contratadas por um valor que ele estima em US$ 22 bilhões, ao todo.

“Cada estaleiro tinha um representante ou operador que operacionalizava o pagamento das propinas”, afirmou Barusco. “No Estaleiro Enseada do Paraguaçú era Rogério Araújo, que representava a Odebrecht.”

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

A colaboração premiada de Pedro Barusco provocou a deflagração da Operação My Way.    Foto: Divulgação

Essa combinação de propina teria envolvido o tesoureiro do PT “João Vaccari Neto”, o próprio delator e “agentes de cada um dos estaleiros”. “Estaleceu-se que sobre o valor de cada contrato firmado entre a Setebrasil e os Estaleiros, deveria ser distribuído o percentual de 1%, posteriormente reduzido para 0,9%”.

Barusco disse que a divisão da propina era feita da seguinte forma: “2/3 para João Vaccari e 1/3 para a ‘Casa 1’ e ‘Casa 2′”. O ex-gerente explicou que a terminologia “Casa 1” era referente aos valores de propina para agentes da Petrobrás. “Especificamente para o Diretor de Serviços Renato Duque e Roberto Gonçalves (que sucedeu Barusco na gerência de Engenharia).”

Já o termo “Casa 2” era referente aos pagamentos de propina para executivos da Setebrasil, em especial o presidente João Carlos de Medeiros Ferraz, e o diretor de Participações, Eduardo Musa. Rogério Araújo, executivo da Odebrecht, já havia sido apontado pelo primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, como responsável pela abertura e pagamento de propina para ele no valor de US$ 23 milhões.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT.

Em nota, a empreiteira rechaçou categoricamente ter realizado pagamento de propinas para “qualquer executivo ou ex-executivo da Petrobrás”.

“A Odebrecht nega veementemente as alegações caluniosas feitas pelo réu confesso. Nega em especial ter feito qualquer pagamento a qualquer executivo ou ex-executivo da Petrobras. A empresa não participa e nunca participou de nenhum tipo de cartel e reafirma que todos os contratos que mantém, há décadas, com a estatal, foram obtidos por meio de processos de seleção e concorrência que seguiram a legislação vigente.”

 

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