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Ex-gerente da Petrobrás diz ter recebido propina desde 1997

Por Redação

05/02/2015, 18h15

   

Pedro Barusco afirmou que houve pagamento de propina desde o primeiro contrato de navios-plataforma da estatal com a SBM Offshore, durante a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB)

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O ex-gerente Executivo de Engenharia da Petrobrás, Pedro Barusco, afirmou em sua delação premiada que o esquema de propinas da estatal começou com o primeiro contrato de navio-plataforma com a holandesa SBM Offshore, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O delator admitiu que, naquela época, recebeu propinas mensalmente em valores variavam entre US$ 25 e US$ 50 mil, e que teria recebido um total de US$ 22 milhões em propinas da empresa holandesa até 2010.

Entre 1995 e 2003, Barusco, que era funcionário de carreira da estatal, ocupou o cargo de gerente de Tecnologia de Instalações, no âmbito da diretoria de Exploração e Produção. Ele admitiu que começou a receber propina em “1997 ou 1998″, “por conta de dois contratos de FPSO (navios-plataforma) firmados mediante sua (de Barusco) participação técnica e ‘fundamental’, uma vez que era o coordenador da área técnica”, diz a delação.

O ex-gerente relata que foi o responsável pelo primeiro contrato do tipo na estatal, que foi “peça fundamental” dos contratos seguintes de navios-plataforma da Petrobrás, pelos quais ele também admite ter recebido propina. “Por conta de relacionamento bastante próximo que o declarante (Barusco) desenvolveu com o representante da SBM, Julio Faerman, tanto o declarante solicitou quanto Julio ofertou o pagamento de propina, sendo uma iniciativa que surgiu de ambos os lados e se tornou sistemática a partir do segundo contrato de FPSO firmado entre a SBM e a Petrobrás”, relata a delação de Barusco. Em seu extenso depoimento, o executivo detalhou as contas por onde o dinheiro das propinas da SBM passou, sendo guardado na Suíça.

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Barusco explicou que os acordos eram de longa duração e que, por isso “o pagamento de propinas perdurou por longos anos” enquanto ele ocupou o cargo na Diretoria de Exploração e Produção. Além disso, ele também admitiu ter recebido propina “por ocasião de um outro contrato firmado entre a empresa Progress, representada por Julio Faerman e a Transpetro”, em “1997 ou 1998″.

Ainda segundo Barusco, as propinas acertadas entre ele e Julio Faerman continuaram nos anos seguintes, quando ele já havia ocupado o cargo de gerente-executivo de Engenharia, na diretoria de Abastecimento de Paulo Roberto Costa. Ele admitiu ainda ter recebido propina de Faerman por um contrato de 2007, já no governo Lula, da plataforma P57. O valor total do contrato, segundo o ex-gerente, era de R$ 1,2 bi, do qual ele admitiu ter recebido 1% de propina entre 2007 e 2010.

Investigada na Holanda, a SBM Offshore, empresa de locação de navios-plataforma a petroleiras, é acusada de pagar US$ 250 milhões em propinas em todo mundo. A empresa chegou a admitir ter pago propinas no valor de US$ 139 milhões para obtenção de contratos e informações privilegiadas da Petrobrás. O caso também está sendo investigado pelas autoridades brasileiras e a GCU apura o envolvimento de seis funcionários da estatal no esquema.

COM A PALAVRA, A DEFESA:

O criminalista Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, que defende o executivo Julio Faerman, representante da SBM Offshore, disse que não poderá se manifestar sobre a delação de Pedro Barusco porque ela está inserida em um procedimento que corre sob sigilo. Pitombo anotou que tem o compromisso profissional de preservar o sigilo dos autos em que Barusco cita o episódio da SBM Offshore.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Instituto FHC, e foi informada que o ex-presidente estava viajando.