Ex-gerente da Petrobrás confessa ter US$ 67,5 mi no exterior

Ex-gerente da Petrobrás confessa ter US$ 67,5 mi no exterior

Do total, US$ 61,5 milhões estão em 12 contas fora do País em nome de empresas offshore usadas para movimentar o dinheiro da propina pago a ele e ao ex-diretor de Serviços Renato Duque

Redação

05 Fevereiro 2015 | 12h52

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco indicou ter US$ 67,5 milhões no exterior fruto do esquema de propinas na estatal desbaratado pela Operação Lava Jato. Além deste montante, que ele se comprometeu a devolver ao Tesouro, ele pagará multa de R$ 3,25 milhões, segundo seu contrato de delação premiada.

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Pedro Barusco. Foto: Divulgação

Segundo Barusco admitiu, US$ 61,5 milhões estão em 12 contas fora do País em nome de empresas offshore usadas para movimentar o dinheiro da propina pago a ele e ao ex-diretor de Serviços Renato Duque – principal foco dessa nova fase da Lava Jato, batizada da My Way. Documentos entregues por Barusco comprovam as operações bancárias por meio dessas 12 offshores.

Ele informou ainda que recebeu outros US$ 6 milhões em nome de sua mulher em uma offshore. No total, Barusco disse ter ficado com US$ 67,5 milhões.

As revelações de Barusco à força-tarefa da Lava Jato provocaram a deflagração da My Way. Barusco foi braço direito de Renato Duque. Ele revelou como funcionava o amplo esquema de desvios. Seus depoimentos ocorreram entre novembro e dezembro do ano passado. O ex-gerente apontou os nomes dos onze operadores de propinas, entre eles o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O ex-gerente entregou à força tarefa da Lava Jato um mapa de 90 contratos nos quais teriam ocorrido pagamento de comissões. Apontou nomes de beneficiários, porcentuais de propinas, números de contas e nomes de instituições bancárias. Ele indicou inclusive conta por meio da qual Vaccari teria operado valores ilícitos.