Ex-diretor diz que só conhece o termo ‘abadá’ do carnaval baiano

Ex-diretor diz que só conhece o termo ‘abadá’ do carnaval baiano

Paulo Vieira de Souza nega ter solicitado 'adiantamento' de R$ 2 milhões e diz que expressão 'abadá' é 'invenção' de delator da Odebrecht

Fabio Serapião / BRASÍLIA

21 Março 2018 | 05h00

Ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. Foto: ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO

À Polícia Federal e em material anexado pela sua defesa ao inquérito que investiga as afirmações do delator da Odebrecht Carlos Armando Paschoal, o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza rebateu todas as acusações feitas contra ele.

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Entretanto, no depoimento à polícia, o ex-diretor afirmou ter se reunido “três ou quatro vezes” com Paschoal. Questionado pelo Estado sobre as dez visitas informadas pela Dersa, Vieira de Souza disse que, além dele, outros “cinco diretores, um presidente e o secretário de Transporte” ocupavam o andar em que Paschoal frequentou e que “todos falavam com ele”.

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Ao delegado Cleyber Lopes, em setembro de 2017, Vieira de Souza confirmou a informação sobre as visitas de Paschoal à Dersa. Segundo ele, “por volta de 2008/2009” se reuniu com os executivo. O motivo do encontro seria a apresentação de Paschoal, por Roberto Cumplido, como novo diretor de Infraestrutura da construtora.

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Vieira de Souza disse que nunca se reuniu com executivos da Odebrecht para tratar de propina. Segundo ele, a sugestão de inclusão de cláusulas no edital que beneficiariam as construtoras foi dos próprios executivos da Odebrecht. “O declarante não concordou com tais termos e informou aos executivos da Odebrecht, Paschoal e Cumplido, que, se a empreiteira possuísse interesse nas obras licitadas pela Dersa, deveria disputar em condições de igualdade com as demais empresas”, disse o ex-diretor da Dersa à PF.

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Vieira de Souza também negou ter solicitado “abadá” de R$ 2 milhões. “Que reitera que tal expressão é uma invenção de Carlos Paschoal em delação, conhecendo o termo abadá somente do carnaval baiano.”

A Dersa disse que a estatal e o governo de São Paulo são os maiores interessados no andamento das investigações. “A companhia organizou seu Departamento de Auditoria Interna, instituiu um Código de Conduta Ética e abriu canais para o recebimento de denúncias”, diz a nota enviada ao Estado.

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Gilberto Kassab disse “entender que, na vida pública, as pessoas estão sujeitas à especial atenção do Judiciário, e ressalta sua confiança na Justiça”.

A Odebrecht afirmou que colabora com a Justiça.

O senador José Serra já declarou que não tem relação com os fatos apontados.