Ex-diretor diz que Pedro Corrêa recebeu R$ 5,6 milhões de propina para campanha

Ex-diretor diz que Pedro Corrêa recebeu R$ 5,6 milhões de propina para campanha

Paulo Roberto Costa afirmou que valor foi pago 'extraordinariamente' para eleição de 2010; PT e PMDB pediram a ele que arrecadasse de empreiteiras

Redação

12 Fevereiro 2015 | 21h00

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada – nos autos da Operação Lava Jato – que o ex-deputado Pedro Corrêa (PP), condenado no escândalo do Mensalão, recebeu R$ 5,3 milhões do esquema de corrupção na estatal para sua campanha eleitoral de 2010.

“Tratava-se de um repasse extraordinário, pois não era comum um único parlamentar do PP recebesse uma quantia desta monta do “caixa” de propinas do PP”, afirmou Costa.

Segundo o delator, “Pedro Corrêa recebia parte dos repasses periódicos destinados ao PP e oriundos das propinas pagas nos contratos firmados no âmbito da Diretoria de Abastecimento” – comandada por ele de 2004 a 2012, A área era a cota do PP no esquema denunciado pela Operação Lava Jato de corrupção na Petrobrás envolvendo a indicações políticas – envolvendo também o PT e o PMDB – em cargos estratégicos.

Em uma agenda apreendida em sua casa quando foi preso, no Rio, em março de 2014, Costa registrou o valor pago ao ex-deputado. Nela “consta a anotação de um pagamento de R$ 5,3 milhões feitos a Pedro Corrêa”, registra seu termo de delação, com a sigla “5,3 Pe”.

“A anotação diz respeito ao repasse que teria sido feito no primeiro semestre de 2010”, disse o ex-diretor de Abastecimento.

agenda prc policitos

Costa afirmou que, na ocasião, o doleiro Alberto Youssef controlava o “caixa único das propinas recebidas pelo PP. “Referido valor seria destinado à campanha eleitoral de Pedro Corrêa no ano de 2010”, contou Youssef, ao ex-diretor.

Pedro Corrêa foi condenado no escândalo do Mensalão. Hoje, ele cumpre pena em regime semi-aberto.

PT e PMDB. Costa afirmou que pagamentos de propina diretamente relacionados à campanhas não era o praxe dentro das cobranças feitas pelo PP. No entanto, ouvir pedido do PT e PMDB – que controlavam outras diretorias na estatal – para que ele fosse até as empreiteiras em busca de recursos.

Ele contou aos investigadores da Lava Jato que quando “ingressou na Petrobrás em maio de 2004 por indicação do Partido Progressista foi avisado de que deveria “zelar pelos interesses do partido” enquanto diretor”. Pagamentos periódicos eram feitos aos políticos da legenda, segundo contou.

Pedro Corrêa. Foto: Celso Junior/AE

Pedro Corrêa foi citado na delação premiada de Paulo Roberto Costa. Foto: Celso Junior/AE

“Os parlamentares do do PP de regra não faziam solicitações de recursos” para que o pedido fosse levado às empreiteiras, revelou Costa. Ele afirma, porém, que recebeu “solicitações do PT e do PMDB para a campanha de 2010”

Segundo o ex-diretor, “os valores (de propina) para uso político eram repassados a João Vaccari Neto tesoureiro do PT quando se tratassem de recursos destinados ao Partido dos Trabalhadores”. A defesa de Pedro Corrêa não foi localizada.