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Ex-diretor da Petrobrás pode pegar pena superior à de operador do mensalão do PT

faustomacedo

21 agosto 2014 | 05:00

Paulo Roberto Costa, alvo da Lava Jato, está sujeito a ficar mais tempo na prisão que Marcos Valério

O engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás e alvo da Operação Lava Jato, poderá se transformar em um “novo Marcos Valério”, segundo a avaliação de investigadores da Operação Lava Jato. A comparação com o operador do Mensalão do PT é feita a partir da pena aplicada a Valério, condenado a 40 anos e 4 meses de prisão. Os investigadores estimam que Costa deverá pegar condenação ainda maior, provavelmente superior à que foi imposta a Valério.

Costa foi preso em 20 de março, três dias depois de a Polícia Federal deflagrar a Lava Jato, investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões.

Algumas semanas depois, ele foi colocado em liberdade por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, mas logo retornou à cadeia, por determinação da Justiça Federal em Curitiba, porque a Suíça informou sobre o bloqueio de US$ 23 milhões em cinco contas atribuídas ao ex-executivo da estatal petrolífera.

Formalmente, já estão em curso duas ações penais contra Paulo Roberto Costa. Uma ação é sobre lavagem de recursos da Petrobrás e envolvimento com organização criminosa. Esta ação avança rapidamente. Estão sendo ouvidas as testemunhas de defesa – a previsão é que essa fase do processo termine já em setembro.

A outra ação contra Paulo Roberto Costa é relativa à destruição e ocultação de documentos. Neste caso, estão sendo ouvidas as testemunhas de acusação, também com término em setembro.

Neste caso, Costa não está só. Suas filhas, Ariana Azevedo Costa Bachmann e Shanni Azevedo Costa Bachmann, e os genros, Humberto Sampaio de Mesquita e Márcio Lewkowicz, também foram denunciados pela Procuradoria da República.

Paulo Roberto Costa é alvo de muitas outras investigações. A Polícia Federal suspeita que ele capitaneou pesado esquema de corrupção a partir de fraudes em licitações da estatal, em conluio com o doleiro Alberto Youssef, também preso pela Lava Jato.

Investigadores calculam que, somadas as penas máximas a que o ex-diretor da Petrobrás está sujeito, a Justiça poderá lhe impor sanção muito superior àquela aplicada ao operador do Mensalão do PT.