Ex-diretor da Petrobrás pede perdão judicial

Advogados de Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato, alegam que sua colaboração foi 'a mais completa, fidedigna e eficaz'

Redação

04 Fevereiro 2015 | 19h16

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O primeiro delator da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, pediu perdão judicial. Em petição entregue nesta quarta-feira, 4, à Justiça Federal, os advogados de Costa argumentam que a colaboração por ele prestada “foi a mais completa, fidedigna e eficaz que se possa imaginar”.

Costa fez delação entre agosto e setembro, apontando o esquema de corrupção e propinas na estatal petrolífera. Ele citou os nomes de 28 políticos, entre deputados, senadores, ex- governadores e governador. Indicado pelo PP´ em 2004 para a Diretoria da Petrobrás, Costa saiu em 2012. Em março de 2014 foi preso pela Operação Lava Jato. Ao fazer delação ganhou o benefício de prisão domiciliar.

Apesar da delação, Costa não se livrou de uma série de denúncias do Ministério Público Federal. Formalmente, ele é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Na resposta a uma dessas acusações entregue hoje, os advogados de Costa alegam que ele propiciou “o desbravamento de todas as linhas de investigação da Operação Lava- Jato e suas consequências”. “Tanto assim foi que se abriu perante os olhos dos Procuradores Federais todo um universo de fato, sequer imaginados, e ainda os elementos essenciais para que se pudesse infirmar as autorias, entender a extensão dos problemas e diagnosticar-se a natureza e posição dos vários atores a dinamizar os fatos minudentemente narrados em muitos dias de interrogatórios”, assinalam os advogados João Mestieri e João de Baldaque, defensores do delator.

Foto: André Dusek/Estadão

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, fez a primeira delação premiada da Operação Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

“O dr. Paulo Roberto Costa assumiu a Diretoria de Abastecimento da Petrobrás em 2004, pedindo sua demissão em 2012”, narram os advogados. “É induvidoso que durante todo o período em que esteve à frente da diretoria, foi sucumbindo às vontades e exigências partidárias, a ele impostas, transformando o que de certo seria um sonho e uma realização profissional, em um verdadeiro pesadelo. Era ‘como se a minha caneta não estivesse na minha mão’, expressou-se ele, mais de uma vez, querendo denunciar que as ingerências políticas eram absolutas.”

Na petição à Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato, a defesa de Paulo Roberto Costa acentua, ainda. “Profundamente arrependido de ter sucumbido às ingerências e exigências impostas pelo apoio político, bem como tendo presente, por todo o tempo, a pressão que sofria para resolver problemas que nem mesmo eram da sua área, assinou seu pedido de demissão em abril de 2012.”

Os advogados transcreveram relato de Costa ao Ministério Público Federal quando se dispôs a firmar o Acordo de Colaboração. “Isso tudo, para tornar minha alma um pouco mais pura, um pouco mais confortável para mim e para minha família, me levou a fazer a delação. Eu passei lá na carceragem em Curitiba seis meses preso. Seis meses dentro da carceragem. Até que resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobrás, e não só na Petrobrás; isto está no noticiário: o que acontecia na Petrobrás acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, nos aeroportos, nas hidrelétricas! Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar. É só pesquisar, porque acontece.”