‘Eu queria dizer. Janot, para, isso é coisa de menino’

‘Eu queria dizer. Janot, para, isso é coisa de menino’

Em áudio que pode levar à rescisão do acordo de colaboração dos delatores da JBS, Joesley Batista desdenha da Operação Carne Fraca e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Da Redação

06 Setembro 2017 | 16h51

Joesley Batista. Foto: Jonne Roriz/Estadão

Em áudio que pode levar à rescisão do acordo de colaboração dos delatores da JBS, Joesley Batista desdenha da Operação Carne Fraca e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O conteúdo do diálogo será investigado, a pedido de Janot, por conter suposta confissão de crimes não antes revelados pelos delatores e irregularidades que teriam sido cometidas pelo ex-procurador Marcelo Miller, que mudou de lado e foi contratado por escritório de advocacia que atuou no acordo de leniência da J&F.

“Eu queria estar em frente ao Janot e dizer: “Janot, para. Isso é coisa de menino. Para. Uma operação idiota dessa, você bota mil e cem homens na rua, em troca de nada, achando que vai me amedrontar. Achando que vai… para! Tá louco”, afirmou Joesley.

O áudio foi gravado no dia 17 de março, data de deflagração da Carne Fraca, que investiga suposto pagamento de propinas de empresas do setor agropecuário a agentes de fiscalização do Ministério da Agricultura. 

Naquela época, os executivos já estavam em acordo com a Procuradoria-Geral da República e, dez dias antes, Joesley gravou a famosa conversa na qual confessou pagar um mensalinho ao procurador da República Ângelo Goulart Vilela, em conversa às escondidas, com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu. 

Mesmo assim, Joesley ainda elucubrou a possibilidade de estar sendo enganado pelo Ministério Público Federal. 

Dentro do jogo do MP’ com não sei o que, é um carteado, né? Uma aposta. Eu posso estar completamente enganado. Ricardo, eu… um jogo, né? Um carteado. Eu duvido que esse Janot não queira a nossa delação. Mas eu duvido assim… eu aposto 100 para um. Não é 10 para um não. É 100 para um. Aí, eu fico vendo toda essa confusão de… Pensa o que eles fizeram hoje. Pensa o que eles fizeram hoje. Uma operação idiota, enfiando nós. Isso é de dar risada. Isso é de dar risada”, indagou.

O Procurador-geral da República pediu investigação, nesta segunda-feira, 4, sobre o áudio no qual os delatores da JBS mencionam que o advogado Marcelo Miller, à época em que era procurador, teria atuado para garantir facilidades aos delatores junto à Procuradoria-Geral da República.

Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral e  do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F.

Janot pediu abertura de inquérito sobre a possível omissão de crimes pelos delatores e para investigar a menção ao ex-procurador da República.

Segundo o chefe do Ministério Público Federal, a investigação pode culminar com a anulação do acordo da JBS, mas está fora de cogitação anular as provas entregues pelos executivos.