“Eu leio o pensamento das pessoas, sabia?”

“Eu leio o pensamento das pessoas, sabia?”

Em meio a supostas revelações sobre o ex-procurador Marcelo Miller, o empresário Joesley Batista afirmou ao colega Ricardo Saud que também lê ‘a alma das pessoas’

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

05 Setembro 2017 | 17h47

Joesley Batista. Foto: Jonne Roriz/Estadão

Em meio a conversas que colocam em risco sua delação premiada, o empresário Joesley Batista, da JBS, abriu o coração ao colega Ricardo Saud. “Eu leio o pensamento das pessoas, sabia?”, afirmou.

Para Saud, também delator da empresa, trata-se de ‘um dom’ do principal acionista do grupo.

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A conversa foi gravada ‘acidentalmente’, segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A gravação foi entregue, provavelmente por descuido dos executivos, à Procuradoria-Geral da República na última quinta-feira, 31, em um anexo complementar da delação que menciona o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O procurador-geral da República pediu investigação sobre o áudio, que tem duração de 4 horas. Joesley e Saud mencionam que o advogado Marcelo Miller, à época em que era procurador federal, teria atuado para garantir facilidades aos delatores no âmbito do termo de colaboração.

Em um trecho da conversa, Joesley diz também que lê ‘a alma das pessoas’.

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LEIA TRECHO DA CONVERSA ENTRE OS DOIS

Joesley: “Ricardinho, eu vou falar uma coisa muito ousada, vou falar uma coisa muito ousada. Talvez não seja ousada a palavra; Ricardo, eu tenho a pretensão de dizer (…) que eu leio o pensamento das pessoas, sabia? Engraçado isso. Sabia que eu acho que, como é que eu vou explicar isso, sabia que eu acho que eu sei o que você está pensando.”

Ricardo: “É mesmo?”

Joesley: “É. Eu não sei se eu estou certo, mas eu converso com você e eu acho que eu sei tudo o que você está pensando. Eu converso com a Fernanda, eu acho que eu sei tudo o que ela está pensando.”

Ricardo: “É um dom.”

Joesley: “É, o Marcelo… você sabia que eu acho, você sabia que eu acho que eu ouço e eu leio o pensamento das pessoas? Por isso que eu reajo e eu ajo, eu tenho atitudes, incompreensíveis para muita gente. Só que é o seguinte, eu sei o que se passa na sua cabeça. É meio maquiavélico isso, meio bruxo isso. Mas ô Ricardo. Quando eu converso com você, é engraçado que eu (…)”

Ricardo: “(…) com o Janot, então (…)”

Joesley: “Ô Ricardo, quando eu converso com uma pessoa, engraçado…”

Ricardo: “É um dom. Um dom que te fez chegar onde você chegou.”

Joesley: “Mas sabia que eu nunca falei isso para ninguém, você é a primeira pessoa que eu tô falando isso. Eu não gosto de falar isso, porque é muito pretensioso isso. Sabia que é muita pretensão, é muita pretensão minha, mas sabia que com todas as pessoas que eu converso, eu tenho a nítida sensação que eu sei exatamente tudo o que você está pensando? Eu sei distinguir o que você está falando do que você está pensando. Só que eu ajo não do que você está me falando, eu ajo do que você está pensando.”

(…)

Joesley: “Eu acho que eu sei o que o Marcelo está pensando. E eu acho que eu sei exatamente…”

“É por isso é que muitas vezes eu falo cada barbaridade e que ninguém concorda (…)”

(…)

Joesley: “Eu acho que eu leio a alma das pessoas, sabia?”

Ricardo: “Ai, credo. (…)”

Joesley: “Sabia disso?”

Ricardo: “Isso é bruxismo.”

Joesley: “Eu acho.”

Ricardo: “Isso não é nem espiritismo.”

Joesley: “Sabia que as pessoas vêm falar comigo, eu ouço e tal, mas (…) Você sabe que eu acho que muita pouca gente me engana? As pessoas vêm falar comigo uma coisa e eu estou lendo outra coisa tão diferente. Eu tô entendendo outra coisa tão diferente do que as pessoas estão falando comigo.”

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