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‘Eu emprestava meu nome, meu prestígio’, diz ex-ministro sobre consultorias

Com R$ 40 milhões recebidos por meio da JD Assessoria, após deixar função de chefe da Casa Civil, José Dirceu explica ao juiz Sérgio Moro que pagamento não visava 'enriquecimento'

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Ricardo Brandt e Fausto Macedo

01 Fevereiro 2016 | 14h48

O ex-ministro José Dirceu durante interrogatório do juiz Sérgio Moro

O ex-ministro José Dirceu durante interrogatório do juiz Sérgio Moro

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula) afirmou ao juiz federal Sérgio Moro que atuava para abrir mercados para empreiteiras em países como Cuba, México e Peru e que seus trabalho como consultor foi legal e não visava o enriquecimento.

“Eu emprestava meu nome, meu prestígio, e orientava essas empresas. Eu não fazia um trabalho que consultor faz de cavar uma licitação, cavar um contrato”, explicou Dirceu, ao juiz da Operação Lava Jato, em seu interrogatório na sexta-feira, 29, na Justiça Federal em Curitiba.

O juiz Sérgio Moro questionou o ex-ministro sobre como foi definido o preço de consultoria de R$ 120 mil mensais para a empreiteira Engevix. “Esse preço é irrisório eu vou dizer para o sr. dr. Moro, sem falsa modéstia. Raramente eu cobrava sucess fixo. Meu nunca busquei a consultoria, eu quero aproveitar para deixar claro isso porque eu estou sendo alvo de notícias, que eu não quero atribuir a ninguém especificamente, que eu enriqueci e que eu tenho um patrimônio de R$ 40 milhões. A minha empresa faturou R$ 40 milhões, 85% são despesas, são custeio. Eu ganhei o que ganha qualquer consultor 60, 80 mil reais por mês e trabalhei.”

“A realidade é que eu tenho uma história, doutor Moro”, afirmou Dirceu, sobre sua atuação em nome de empresas. O juiz federal da Lava Jato quis saber se o que ele fazia após deixar o governo “era uma espécie de lobby”. “Todas as minhas atividades são públicas, eu dei consultoria publicamente no Brasil e nesses países.”

O ex-ministro disse que não prestou serviços de consultoria para se enriquecer. “Eu fazia o que se faz para abrir mercados para o Brasil eu entendia que eu estava fazendo consultoria, ganhando para me defender, fazer meu blog, viajar pelo País. Eu não estava me enriquecendo, não tinha esse objetivo.”

Moro pediu detalhes sobre relatórios dos serviços e prestações de contas para as empreiteiras contratadas, entre elas a Engevix, que tem dois executivos como réus na ação penal por suposto pagamento de propina ao ex-ministro via lobista Milton Pascowitch.

“Não vou dizer para o senhor que eu fazia relatórios, que eu dava um tipo de consultoria que eu não dava, porque eu vou faltar com a verdade, fazer um falso testemunho para o senhor”, afirmou Dirceu.

“Atividade fim era eu que exercia. Minha consultoria é personalíssima, de avaliação de conjuntura, de avaliação do momento político internacional econômico, de abertura de mercados no exterior, avaliação da situação do Brasil, de perspectivas”, afirmou Dirceu, ao ser questionado pelo procurador da República, Roberson Pozzobom sobre quem exercia atividade fim na JD Consultoria.

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