Esquema em fundos de pensão somaram R$ 20 milhões em propinas

Esquema em fundos de pensão somaram R$ 20 milhões em propinas

Operação Rizoma foi deflagrada a partir da delação do doleiro Alessandro Laber

Roberta Pennafort/RIO

12 Abril 2018 | 13h29

RJ 12/04/2018 NACIONAL / OPERAÇÃO RIZOMA – Movimentação na sede da Polícia Federal no centro do Rio de Janeiro nesta manhã de quinta-feira (12). Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 12, a operação Rizoma, mais um desdobramento da Lava Jato, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Cento e quarenta agentes estão nas ruas no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo para cumprir dez mandados de prisão preventiva e outros e 21 mandados de busca e apreensão. NA FOTO ADENILSON RIBEIRO TELES, EX ASSESSOR DO PRESIDENTE DOS CORREIOS FOTO Fabio Motta / ESTADÃO

O esquema de desvio de verbas de fundos de pensão desbaratado pela Polícia Federal, e que motivou a Operação Rizoma, nova fase da Lava Jato no Rio, desencadeada nesta quinta-feira, 12, contou com lobistas do PT e do MDB e gerou pelo menos R$ 20 milhões em propinas. Investiga-se o envolvimento de membros dos fundos dos Correios (Postalis) e Serviço Federal de Processamento de dados (Serpros). As informações são de integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Estado.

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O cabeça era o empresário Arthur Machado, CEO da Americas Trading Group, e a prática, que vigora ao menos desde 2011, segundo o Ministério Público Federal, foi descoberta em colaboração premiada espontânea. Os investigadores descobriram que o dinheiro gerado pelas práticas criminosas do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) – preso em 2016 – movimentou também este esquema. Os doleiros utilizados pelos dois grupos coincidem. Não há indício de que Cabral tenha sido beneficiado desta vez.

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O dinheiro foi lavado não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na China. Nesta manhã, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Outras quatro pessoas deverão se entregar – a PF está em contato com seus advogados. Os crimes investigados são corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, inclusive fora do País, e crime contra o sistema financeiro nacional.

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Segundo o procurador da República Eduardo El Hage, coordenador da Lava Jato no Rio, o esquema causou prejuízos não só aos pensionistas dos fundos, mas também à economia brasileira. “Seria muito saudável para a economia brasileira se os critérios dos investimentos dos fundos de pensão fossem técnicos”, afirmou. “Mas o que ocorreu no Brasil por muito tempo foi que partidos políticos indicaram pessoas para os fundos, e esses fundos escolhiam empresa com rating muito baixos, faziam aportes volumosos e depois havia cobrança de propina.”

COM A PALAVRA, ARTHUR PINHEIRO MACHADO

A defesa de Arthur Pinheiro Machado e de Patricia Iriarte refuta, de forma veemente, qualquer relação entre os empresários e atos ilícitos. Informa que ambos sempre agiram no mais absoluto respeito à legislação e que não compactuam com práticas ilegais.

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